Especialistas debatem Racismo na Juventude, no Adamastor

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Debate sobre o tema “Reflexões sobre o Racismo na Juventude e suas Representações”, lotou o auditório do Adamastor Centro, nesta quarta-feira (28), para acompanhar a palestra dos especialistas em assuntos relacionados ao racismo e violência sofrida pela juventude negra. Jackeline Romio, doutora e mestre em demografia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, e Cleber Santos Vieirao mestre em História pela Unesp e doutor em Educação pela Faculdade de Educação da USP, fizeram um diagnóstico sobre a atual situação do País nessas questões.

Promovido pela Prefeitura de Guarulhos, por meio da Subsecretaria da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria de Assuntos Difusos, o evento em alusão ao dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, propôs ampliar os diálogos com a população guarulhense, que conta com 45% de população autodeclarada negra, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, e fortalecer os debates que contribuam na redução e enfrentamento das violências à juventude negra.

A atividade foi abrilhantada com apresentação da cantora Viviane Abrão e contou com a participação do secretário de Assuntos Difusos, Lameh Smeili; subsecretário da Igualdade Racial, Anderson Guimarães; secretária-adjunta de Assistência Social, Claudia Papotto; presidente e fundadora da Associação Brasileira de Defesa, da Infância e da Juventude – Asbrad, Dalila Figueiredo; Mabel Assis, assistente social da Subsecretaria da Igualdade Racial, entre outros.

Informação

De acordo com Lameh, as pessoas precisam compreender o que uma secretaria que trabalha em prol dos direitos humanos realmente faz. “Muitos acham que trabalhamos para bandidos. Direitos humanos são o direito à saúde, à educação. É o direito à cidadania e à vida. Trabalhamos para garantir tudo isso e nunca a violência, o racismo e o preconceito. Nosso objetivo é combater essas atitudes, que acompanham a humanidade há tempos e que nos dias de hoje, estão mais acentuadas. E a nossa posição tem de ser muito clara: não ao racismo e ao preconceito”, ressaltou Lameh.

Para a presidente da Asbrad, Dalila Figueiredo, falar de racismo, de xenofobia, de machismo é muito importante. “Esses debates são necessários e precisam acontecer em todos os fóruns, pois a luta não pode parar. Ela é para sempre, até que um dia a gente encontre um país mais generoso e menos violador dos direitos da pessoa humana”, ressaltou.

Dalila ainda falou sobre o trabalho e sua entidade. “A Asbrad, desde sua fundação, vem num movimento de defesa da dignidade da pessoa humana. Essa é a nossa bandeira: jamais discriminar pessoas, combater a xenofobia, o racismo, procurar uma sociedade mais justa e generosa, denunciar a tortura, os maus tratos, o tratamento desumano e degradante, que acontece no sistema penitenciário e nas unidades socioeducativas, não só no Estado, mas no Brasil inteiro”, concluiu.

Para o subsecretário de Políticas para a Igualdade Racial, Anderson Guimarães, no que se refere às questões que envolvem o tema igualdade, elas são amplamente discutidas. “Debatemos as questões indígenas, do povo negro, as questões dos povos tradicionais e também dos imigrantes. Estamos no centro de todas as discussões de direitos humanos do nosso país, e dependemos da ajuda de todos nessa jornada”, concluiu Anderson.

Realidade

De acordo com o Mapa da Violência de 2017 (IPEA), foi apontado que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras, na faixa etária de 15 a 29 anos. São cinco vidas perdidas para a violência a cada duas horas, e pessoas negras têm 23,5% mais chances de serem assassinadas quando comparadas a brasileiros de outras raças.

21 de março de 1960

Em 21 de Março de 1960, aproximadamente vinte mil pessoas protestavam na África do Sul contra a lei que obrigava os negros a andarem com identificações que limitavam seu acesso em determinados locais no país. O ataque de tropas militares do Apartheid mataram 69 pessoas e deixaram inúmeros feriados. Em homenagem a esta luta, todo dia 21 de Março é lembrado para que se possa refletir o quanto deve enfrentar e eliminar o racismo.

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