Comissão recebe Zeitune, mas oitiva fica para a próxima segunda-feira

Política

A CEI que investiga denúncias contra o vice-prefeito Alexandre Zeitune (Rede), sob acusação de extorquir um empresário para obter vantagens financeiras para si e seu partido, ouviu Zeitune em reunião ordinária realizada na manhã desta terça-feira 10, na Câmara de Guarulhos. Sem ser questionado, mas falando de forma geral sobre a investigação, ele próprio, na condição de advogado, chamou para si a defesa. Ele esteve acompanhado do advogado da Rede, Leonardo Freire, que defende a legenda.

Não era prevista a presença de Zeitune nessa sessão, portanto, a CEI, em votação, decidiu aguardar até a próxima segunda-feira (16) a oitiva do vice-prefeito sobre os áudios em que um suposto intermediário, que seria o empresário Marco Antônio Ferreira, ofereceria benefícios a um empresário em troca de ajuda financeira a Zeitune e à Rede. Esperava-se a presença de Ferreira, que não atendeu às convocações.

A vereadora Genilda Sueli Bernardes (PT) foi voto vencido nesta questão. “Como ele está aqui, deveríamos ouvi-lo e questioná-lo sobre os áudios, não perder mais tempo”, reclamou. “Este fato reforça a impressão que a ala governista que compõe a comissão mira apenas o desgaste político de Zeitune, usa a Casa para atender aos objetivos do prefeito Guti, em divergência com seu vice-prefeito”, criticou Genilda. Em nova votação, ficou decidido convocar Ferreira para ouvi-lo no dia seguinte, terça-feira.

Tanto Zeitune quanto Freire procuraram desqualificar a instituição da CEI, solicitando seu encerramento. Segundo eles, Zeitune está sendo investigado pelo crime de extorsão, o que a situação não se configura. Ambos se debruçaram no Código Penal, que diz que crime de extorsão é “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa”. Além disso, segundo eles, não tem como o investigado exercer influência política sobre o governo municipal, uma vez que está publicamente em litígio com o prefeito, tendo sido, por exemplo, exonerado do cargo de secretário de Educação.

Presidente da Comissão, Marcelo Seminaldo (PT) indeferiu o pedido, afirmando que tudo tem sido feito pelas vias regimentais. “Há áudios que deram ensejo à instalação desta CEI, cabe a estes vereadores apenas investigar, sem indiciar nem julgar atos de qualquer natureza”, argumentou o petista. A CEI aprovou os pareceres técnicos da Casa.solicitados pela Comissão que avalizam a validade e continuidade dos trabalhos.

Zeitune também reclamou da falta de publicidade dos atos da CEI. Segundo ele, não houve formalmente a reunião em 1º de março passado que indicou o vereador Eduardo Carneiro (PSB) o relator da Comissão. “Vemos fatos que mostram a Comissão atuando dentro de ilegalidades, isso pode se reverter futuramente em denúncia contra os próprios vereadores”, alertou o vice-prefeito.

As reuniões da CEI são públicas e são realizadas no plenário da Câmara, às 9h. A TV Câmara Guarulhos transmite ao vivo os encontros, com reprises durante a programação.

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