Contratação no mundo da beleza: como fazer dar certo?

Colunas

Em 27 de outubro de 2016, foi aprovada a Lei no. 13.352/2016, conhecida como “Lei do Salão Parceiro”.

Anteriormente, a contratação de profissionais pelos salões de beleza deveria ser feita segundo as regras da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, com registro em carteira, piso salarial, pagamento de horas extras, 13o. salário, férias e todos os encargos que esse tipo de contratação acarreta.

Na prática porém, observamos que muitos estabelecimentos faziam contratos de locação de cadeira, entre outros termos utilizados, o que não é aceito por nossa legislação, levando a processos trabalhistas que inevitavelmente, davam ganho de causa aos profissionais.

Após muitos anos de discussões e negociações, foi aprovada em 2016 e entrou em vigor em Janeiro de 2017, a Lei do Salão Parceiro.

Através dela, um profissional hoje pode ser contratado como “Profissional Parceiro”, ou seja, é realizado um contrato de parceria pela empresa contratante (Salão de Beleza, Barbearia, Esmalteria, Clínica Estética) e o profissional. Para esse contrato, o profissional precisa ter um CNPJ, ou seja, Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. Seja através de uma MEI, ME ou EPP, o profissional parceiro precisa ter esse cadastro para assumir a posição de profissional parceiro.

Os direitos trabalhistas como 13o. salário, horas extras, férias e outros encargos não existem nesse tipo de relação. O pagamento é feito apenas pela comissão sobre os serviços executados e seu percentual é acertado diretamente entre o profissional parceiro e a empresa contratante.

O controle da agenda deve ser do profissional e não existe tempo mínimo ou máximo de horas trabalhadas por dia.

A relação é de parceria e os dois lados são responsáveis pelo bom atendimento ao cliente.

Muito me perguntam qual dos dois modos de contratação é o melhor, CLT ou Lei do Salão Parceiro. Sempre afirmo que os dois modos tem suas vantagens e desvantagens e posso explicar melhor em um outro momento.

Mas o que mais quero aqui salientar é a relação entre a empresa que está contratando e o profissional contratado, seja ele por qual modo de contratação for.

Existem alguns pontos que acredito que são primordiais, que antecedem até a decisão de qual maneira de contratação é a melhor.

O primeiro ponto é o respeito mútuo. Parece redundante, mas é essencial falar me respeito em qualquer relação e, em uma relação profissional, o respeito mútuo deve ser a base. Vejo muitas empresas não respeitarem seus profissionais, tratando-os como apenas “recursos”, como apenas uma ferramenta. Eu não vejo nenhuma empresa funcionar sem esse “recurso”. Se não houver um profissional capacitado e feliz por desenvolver ali sua atividade, nenhuma empresa terá seu tão esperado sucesso.

Uma vez vi um grande empreendedor falar em uma entrevista que a gestão de pessoas é algo muito simples e resumiu isso em uma frase: “É só tratar gente, como gente”. Parece simples né? mas muitas vezes não é isso que observo no mercado. Superiores tratando mal seus profissionais, não valorizando seu potencial, não permitindo seu crescimento e até privando das condições mínimas de trabalho.

Por outro lado, vejo inúmeros profissionais também faltarem com o respeito com os seus contratantes. Sim, o respeito mútuo deve partir dos dois lados. É um relacionamento, e precisa de comprometimento e empenho dos dois lados.

Vejo profissionais falarem mal dos superiores, dos colegas, do ambiente em que trabalham. Inúmeros são os profissionais que não obedecem as regras de convivência, não se comprometem nem com o cliente, nem com o empreendimento onde estão. Na minha visão isso é falta de comprometimento e respeito com eles mesmos.

Chegar atrasado, não cuidar das ferramentas de trabalho, não se vestir adequadamente, não cumprir com suas obrigações, não buscar desenvolvimento, não se aprimorar, não ter uma postura profissional, reclamar de tudo ao invés de buscar soluções, essas e inúmeras outras atitudes são falta de respeito do profissional para com a empresa que o contratou.

Enfim, para que qualquer relacionamento seja saudável, deve ser baseado em respeito mútuo e isso se aplica muito bem ao ambiente profissional também!

Profa. Ms. Giovana Quini

Coach, Palestrante e Mentora – Especialista em Profissionais e Empresas da Área da Beleza

Professora Universitária na área de Administração de Empresas

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