Mês de combate às hepatites virais tem seminário e incentivo a testes

Destaque

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu 28 de julho como o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais e, em 2016, elaborou um documento com estratégias globais para atingir a meta de eliminação da doença até 2030, reduzindo os novos casos em 90% e em 65% a mortalidade a ela associada. Signatário desse documento, o Brasil tem adotado linhas de ação para o alcance das metas. Da mesma forma, Guarulhos, por meio do Programa Movimenta Saúde, promove o Julho Amarelo, mês alusivo ao tema.

O objetivo é conscientizar a população sobre a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais, doenças que muitas vezes não apresentam sintomas. Por isso, além de intensificar a oferta dos testes rápidos para sua detecção nos serviços de saúde, incentivando as pessoas a realizarem o exame, o mês dedicado a este tema ainda contará com um seminário para atualizar os profissionais da área em relação aos mais recentes manuais técnicos diagnósticos, protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

O evento, que acontecerá no próximo dia 11, das 8h às 17h, no Adamastor Centro, vai marcar a abertura oficial do Julho Amarelo na cidade. Já na sexta-feira (19) todos os serviços da rede vão intensificar as ações de prevenção às hepatites virais, no chamado Dia D do mês, com programação dentro e fora das unidades de saúde. Dentre as intervenções previstas estão incluídas a ampliação da oferta de testes rápidos para hepatite C e vacinação para hepatite B.

Além disso, durante o mês todo, e principalmente no Dia D, as unidades desenvolverão palestras e atividades educativas diversas sobre as hepatites virais, como rodas de conversa, exibição de vídeos, exposição de cartazes, abordagem da população em feiras livres, entre outras ações. A programação do Julho Amarelo ainda abordará os chamados temas transversais comemorados neste mês: saúde ocular (10 de julho) e Estatuto da Criança e do Adolescente (13 de julho).

“Nossa proposta para o Julho Amarelo deste ano envolve principalmente a intensificação da testagem para hepatite C com foco na população acima de 40 anos. Por ser uma doença que geralmente não apresenta sintomas, essas pessoas podem ter se contaminado no passado e não saber que têm o vírus. Por isso, quem tem mais de 40 anos e nunca fez o teste deve procurar uma unidade de saúde”, explica o coordenador do Programa Municipal IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)/Aids e Hepatites Virais, Ricardo Gambôa.

Hepatites

As hepatites são inflamações no fígado causadas por vírus ou pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. De acordo com o Ministério da Saúde, as hepatites mais comuns no Brasil são as causadas pelos vírus A (cuja transmissão é oral-fecal), B e C (por relação sexual desprotegida; contato com sangue, compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos; e durante o parto). Muitas pessoas são portadoras do vírus B ou C e não sabem.

Como em muitos casos a doença não provoca sintomas, os riscos de a infecção evoluir e se tornar crônica, causando danos mais graves ao fígado, como cirrose e câncer, são grandes. A vacina é uma forma de prevenção contra as hepatites do tipo A e B. Para o tipo C não existe vacina.

De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2018, de 1999 a 2017 foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 587.821 casos de hepatites virais no Brasil. Destes, 164.892 (28%) foram de hepatite A; 218.257 (37,1%) de hepatite B e 200.839 (34,2%) de hepatite C. O documento aponta que a região Nordeste concentra a maior proporção das infecções pelo vírus A (30,6%), sendo que a Sudeste tem mais registros dos vírus B e C, com 35,2% e 60,9%, respectivamente.

Ainda segundo o Boletim, a hepatite C é responsável pela maior parte dos óbitos por hepatites virais no Brasil e representa a terceira maior causa de transplantes hepáticos. No entanto, segundo o documento, a incorporação pelo SUS das novas terapias para o tratamento da doença vem modificando seu panorama epidemiológico no país, com altos índices de cura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *