Ser mulher em 2020

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Parece estranho que em 2020, já em pleno século XXI, ainda tenhamos que falar de empoderamento da mulher na sociedade. O mais difícil é não cair no clichê e no entendimento raso do que é o feminismo, como era entendido até o século passado e como é encarado até hoje por muitas pessoas, homens e mulheres. A mulher moderna não precisa queimar sutiã para se dizer feminista, nem se vestir desta ou daquela maneira, se comportar de forma hostil. A mulher moderna, por si, suas ações e atividades, já é feminista, ainda que não saiba. A mulher que acorda cedo, que estuda, trabalha, tem filhos ou que optou por não tê-los, que decide sobre a sua própria vida, escolhe seus caminhos é feminista. Muito além de poder escolher suas roupas, modo de falar e de se portar, a mulher hoje também pode definir os rumos de uma empresa, de órgãos governamentais, cidades, estados e países. E tudo isso sem perder sua identidade, sua verdade interior, seja ela qual for.

Angela Merkel é a chanceler da Alemanha desde 2005, Erna Solberg é a primeira ministra da Dinamarca, mostrando que mulheres podem conduzir com habilidade nações desenvolvidas, com sobriedade e eficiência. No Brasil, apenas o Estado do Rio Grande do Norte é governado por uma mulher, Fátima Bezerra. Fica claro que a questão não é capacidade, mas espaço e oportunidade.

As cotas para mulheres nos partidos políticos para as eleições é uma forma legítima de garantir a participação de um número maior delas na política e, consequentemente, nas decisões que são importantes para as comunidades que venham a representar. Não é questão de ser mais ou menos capaz, mas apenas de ter real habilidade de exercer funções de decisão e liderança, não mais nem menos que os homens, apenas igual.

A realidade é que uma mulher no mercado de trabalho ou na vida pública tem realmente que se esforçar em dobro para conseguir se destacar e alcançar os postos que almeja. É preciso enfrentar salários menores, cargos menores, o assédios disfarçados de piadas e brincadeiras, gravidez e filhos que, por incrível que possa parecer, são ainda aspectos que dificultam uma contratação.

A mulher não deveria ter que optar entre educar seus filhos e ter uma carreira, minha avó fez isso dando aulas em dois períodos e educou oito filhos (feminista, ela). Deveria ser desnecessário ter que provar diariamente sua capacidade para manter seus postos de trabalho, nossas opiniões deveriam ter o mesmo peso que a opinião de um homem com a mesma formação e capacitação. As oportunidades deveriam ser iguais, apenas isso.

É realmente uma infelicidade este ainda ser um assunto a ser debatido nos dias de hoje.

Marianne Antunes

Advogada

 

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