PRÓXIMOS PASSOS

Colunas

O cenário impõe grandes desafios para todo o mundo. Nos países de situação fiscal adversa como o Brasil (precisa gastar mais do que arrecada) o quadro é mais grave.

A imperiosa necessidade de gastos adicionais com a saúde para enfrentar a pandemia soma-se a necessidade de socorrer a sociedade, com a paralização da economia. Os dados são alarmantes em cada semana em isolamento custa cerca de 20 bilhões de reais para o país, para efeito de comparação, aproximadamente 36% do PIB anual de Guarulhos.

Acredita-se que no Brasil, o PIB vai encolher 5% no mínimo, num país que precisa crescer rapidamente para enfrentar os desafios seculares de acesso aos serviços básicos da população. A nossa dimensão continental abriga uma volumosa população de mais de 210 milhões de habitantes, com um grande contingente de pessoas necessitadas de apoio. Antes do Coronavírus já tínhamos 12 milhões de desempregados, 05 milhões de desalentados (não procuravam mais empregos) e 10 milhões de pessoas na informalidade com renda inferior a um salário mínimo.

Guarulhos devido a imensa população e alta migração possui grande número de pessoas que dificuldades socais, cerca de 118 mil famílias na cidade constam no cadastro único para receber auxílio e sobrevivem com até meio salário mínimo, aproximadamente 48 mil de bolsa família, além das submoradias.

Os desafios são imensos, mas, como no futebol para virar um jogo de 7 x 1 contra é necessário fazer um gol por vez. O Brasil vai precisar repensar a sua inserção internacional nas cadeias produtivas globais, é razoável pensar que ocorrerá um rearranjo no mundo, com menor de dependência da China.

O Governo vai precisar aumentar a liquidez no mercado, parece que não existem dúvidas sobre isso, o alargamento monetário vai existir com emissão de moeda ou oferta de títulos públicos, a crise de demanda inibe qualquer receio de dragão inflacionário neste momento. Além disso, o mundo todo caminha nesta direção.

O câmbio depreciado vai ajudar a exportar e dificultar as importações favorecendo o mercado interno, esse movimento deve ser acompanhado de melhorias na produtividade. Para melhorar a produtividade é fundamental melhorar a qualificação das pessoas, capacitação com seriedade e voltada as aplicações, o ensino deve voltar a ser um empreendimento viável que permite desenvolver atividades financeiras lucrativas e não somente para que não atividades financeiras especulativas possam utilizar o ensino como negócio.

As taxas de juros no menor nível histórico podem ajudar na recuperação, pois são elas que servem de referência para a remuneração do estoque da dívida pública, sendo que essa consome praticamente 50% do orçamento. O desafio é conseguir uma boa rolagem com ampliação de prazos, considerando as limitações impostas pelo limitado capital internacional.

As micro e pequenas empresas que são as grandes empregadoras e distribuidoras de renda precisam de crédito, o Brasil como os E.U.A da América, com estruturação do sistema bancário draconiana, têm dificuldades para aumentar riscos mesmo em situação anormais. Assim não resta ao Governo outra ação que não seja criar fundos garantidores para que o sistema financeiro auxilie as empresas com créditos e efetivamente alcance a ponta do tomador.

O Governo Federal estará centrado numa pauta econômica extensa e tentará aprovar algumas reformas, não devemos ter expectativas em relação as políticas industriais amplas, o programa Pró- Brasil criou expectativas, mas, na prática é um subconjunto de ações das políticas de privatização, as quais não vão ocorrer no curto prazo.

As alternativas devem passar por políticas locais de desenvolvimento lastreadas nas competências e no desenvolvimento de ambientes de negócios favoráveis a produção, com a construção de instrumentos que favoreçam a localidade.

A gestão de recursos passa por planejamentos estratégicos e definição de horizontes que sejam reais, a alteração do mindset burocrático, com a criação de escritórios de facilitação de negócios e o acolhimento dos verdadeiros empreendedores e rede de proteção contra os aproveitadores.

Devanildo Damião

Mestre e Doutor em gestão tecnológica

Pesquisador da Universidade de São Paulo

Coordenador Universitário de curso de administração.

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *