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quinta-feira, outubro 29, 2020

COMO FALAR DE ABUSO SEXUAL COM SEUS FILHOS?

Há algumas semanas atrás acompanhamos o drama da criança de dez anos de idade, violentada e grávida. O desfecho, infelizmente não saberemos, afinal de contas, trata-se de um ser humano que teve seus diretos violados, sonhos roubados e infância interrompida pela maldade humana. Minha oração e desejo é que esta criança encontre pelo caminho pessoas dispostas a ajudá-la a vencer esse trauma, gente que lhe compreenda e ame incondicionalmente. Que ela ache em Deus a paternidade que lhe faltou, pois como diz a Palavra em I Pedro 4:8, o amor cobre a multidão de erros. Ah, somente esse amor pra inundar um coração ferido e transformá-lo.

 Diante disso, como mãe e mulher cristã, não pude me calar, ser mais uma ouvinte passiva de telejornal. É repugnante que coisas desse tipo aconteçam nos dias de hoje. Por isso fui atrás de pessoas sabidas no assunto.  Tive o privilégio de conversar com a psicóloga Claudia Fernanda Machado, especialista em Psicologia Jurídica que a princípio, esclareceu como acontece a descoberta da sexualidade no decorrer do desenvolvimento infantil. Para ela, o tema é vasto, todavia destacou pontos importantes:

Em minha opinião os pais e educadores devem favorecer o processo de identificação da criança, reforçar as diferenças e semelhanças entre um gênero e outro sem nunca desvalorizar o sexo oposto. Isso ocorre na tão conhecida fase dos porquês. Além das perguntas, as crianças querem ver e saber. Com tantas dúvidas, é um bom momento para ensinar os nomes corretos das partes de seu corpo assim a intimidade, sem problematizar a situação, apenas orientar, salientou.

Hoje, em pleno Século XXI, por que as crianças estão tão desprotegidas e vulneráveis mesmo cercadas por tantas pessoas? Afinal de contas, quais aspectos do comportamento da criança evidenciam que ela vive ou viveu alguma forma de abuso sexual?Como mãe, o que preciso observar?

As consequências do abuso sexual são múltiplas e seus efeitos psicológicos são devastadores. Os sintomas apresentados pelas crianças são vários e podemos classificá-los de acordo com faixa etária, mas isso não é uma regra. Para a identificação de qualquer tipo de abuso devemos sempre estar atentos aos sinais na mudança de comportamento apresentado pelas crianças, mas neste caso especifico os sintomas mais comuns são: Crianças de 0 a 6 anos – ansiedade, pesadelos, transtorno de stress pós-traumático e comportamento sexual inapropriado. Entre 7 e 12 anos – medo, distúrbios neuróticos, agressão, pesadelos, problemas escolares, hiperatividade e comportamento regressivo. Adolescentes de 13 a 18 anos – depressão, isolamento, comportamento suicida, auto-agressão, queixas somáticas, atos ilegais, fugas, abuso de substâncias e comportamento sexual inadequado. Os sintomas comuns entre as três fases são pesadelos, depressão, retraimento, distúrbios neuróticos, agressão e comportamento regressivo. Isso leva a pensar em efeitos a longo prazo causados pela experiência de abuso sexual na infância. Afirmou Cláudia.

É de arrepiar, mas precisamos ouvir e falar sobre isso. Recentemente publiquei em minhas redes sociais um breve texto falando sobre a expansão da pedofilia e como fotos inocentes e despretensiosas param nas mãos de pessoas doentes, que rapidamente transformam imagens puras em material pornográfico. Foi um “sacode” para mim também. Todo cuidado é pouco e mesmo que seja absurdo ter que pensar duas vezes para publicar um registro bacana de seus filhos, o perigo existe e faz vítimas todos os dias. A verdade é que a infância tem sido constantemente atacada em sua essência. A todo tempo tentam roubá-la e prostituí-la. Termo forte? Também acho, mas não dá para descrever de outra maneira, infelizmente. Quando chegamos às lojas de brinquedos por exemplo, encontramos uma infinidade de bonecas estereotipadas como mini adultas, exibindo curvas, seios e até olhares sedutores. Umas maquiadas, tatuadas e com piercing. Dá pra acreditar? Eu mesma já vi numa grande rede de brinquedos e me perguntei: Como será que uma criança brinca com este brinquedo? Faz comidinha e dá na boca ou finge trocar fraldas? Não! O objeto sutilmente induz o seu uso. Certamente a boneca dança, rebola, namora e exibe sua beleza.  E as músicas? Piorou! Maliciosas, que reforçam sensualidade, movimentos semelhantes ao ato sexual . Isso toca nas festinhas infantis e todo mundo acha normal! Depois não adianta levantar a bandeira da proteção aos direitos da criança. A atitude, definitivamente não combina com esta causa! Então vamos ao ECA/1990 ( Estatuto da Criança e Adolescente)

Título I Das Disposições Preliminares – Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, MORAL, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Destaquei a palavra MORAL e trago a definição do dicionário:

– Que denota bons costumes segundo os preceitos estabelecidos por um determinado grupo social.

– Que ensina, educa; edificante.

Antes mesmo de falar como proteger uma criança do abuso sexual, precisamos cavar mais fundo e reconhecer que nossa sociedade apresenta às crianças um modelo de conduta moral completamente distorcido. Programas que exibem  cenas de sexo explicito às nove horas da noite, horário em que você senta com seus filhos na sala de estar. Pais que não respeitam a presença dos filhos e trocam toques um tanto apimentados como se estivessem a sós na intimidade. Não me refiro a gestos de afeto, um afago, beijo, abraço. Isso sim é essencial que nossos filhos vejam e aprendam. Falo literalmente  de práticas sexuais na presença de quem ainda não tem condições de compreender essa maneira de se relacionar, que é sadia e importante, mas como tudo na vida, tem hora e local certo para acontecer. Entendem? Vejo que o ajuste também tem que partir de nós pais. Observe aquilo que seus filhos ouvem e assistem. Certamente reproduzirão isso em escala maior ou menor, não sabemos!

Agora chega de puxão de orelha! Quero contar-lhes como abordamos o tema aqui em casa. Voltando ao episódio da menina estuprada pelo tio, imagino que diante de tamanha barbaridade muitas mães olharam mais para seus filhos, especialmente quem precisa deixá-los sob cuidados de terceiros. Não encare isso como paranóia mas cuidado,amor e zelo. Não importa se é uma avó, avô, tio, primo ou irmão que divide a tarefa de cuidar das crianças, seus filhos precisam saber como se proteger em qualquer ocasião e esse é o nosso papel.

Aqui em casa sempre foi um hábito conversarmos com os meninos sobre cuidados com o corpo, desde higiene dos genitais à proteção dos mesmos. Para nós, não causa estranheza ou   constrangimento dizer o que eles podem ou não fazer ou deixar que lhes façam mas sei que muitas pessoas se sentem desconfortáveis para abordar esse assunto, ás vezes pela criação severa ou por traumas vividos no passado. Quero ajudar a traçar uma rota!

Meu marido e eu sentamos com o João Miguel, nosso filho mais velho ( 6 anos) e entendemos que era hora de entrarmos mais no assunto.  A conversa foi tão leve e produtiva, que decidi compartilhar aqui:

– QUE MUNDO É ESSE QUE VIVEMOS?

 A Bíblia já havia alertado que “nos últimos dias” muitas pessoas não teriam “afeição natural” e seriam “ferozes” e “sem autodomínio”. (2 Timóteo 3:1-3) Essas são características evidentes naqueles que tentam se aproveitar sexualmente de outros.

Falamos para o João que a Palavra já revelava que nos últimos dias, isto é, próximo a vinda de Cristo, as pessoas se comportariam de maneiras horríveis. É o que tem acontecido hoje em dia, muita maldade espalhada e pessoas que enganam as outras. Nem todos os maus se revelam de uma vez.  Ás vezes elas fingem ser bons e legais para ganhar confiança, mas possuem um coração ruim, cheio de planos que entristecem a Deus.

– OS PAIS DEVEM TER A CONFIANÇA DOS FILHOS.

Atrelado a essa informação e passagem bíblica, contamos  que para saber se uma amizade é boa ou não ele necessitará de pessoas de confiança para dar essa dica, no caso, nós pais!

“Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensino de tua mãe. Porque eles serão uma grinalda de graça para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço”. Provérbios 1: 8 e 9

Diga a seus filhos que quando consultam os pais, estão se protegendo!

– QUEM AMA NÃO FAZ MALDADES.

Olha o que diz em I Coríntios 13, verso 5:


“Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor”.

Como alguém que ama pode pedir a uma criança para fazer algo escondido dos pais?

Essa foi a pergunta que lançamos, baseada na passagem.

Não há amor nessa atitude! Proponha á seus filhos uma reflexão. Faça perguntas que os levem a pensar nos porquês do SIM ou do NÃO.

– COMBINAR LIMITES.

Depois de trazer a Palavra com principal apoio para conversa, estabeleça combinados simples e práticos. Por aqui, reforçamos os locais do corpo onde ninguém NUNCA deve tocar, assim como as partes que ele jamais deve encostar em outras pessoas, mesmo que elas peçam com carinho.

Sabe, João se sentiu feliz com a conversa. Percebeu que o amamos e queremos protegê-lo trazendo esse bate papo. Ele teve oportunidade de falar também, fazer perguntas e dizer o que pensa.

Para concluir, Claudia também reforça nosso papel como pais nesse aspecto e nos orienta sobre o que fazer diante de uma suspeita de abuso em nossa família, ou alguém próximo. Guarde isso:

Talvez a maior dificuldade das famílias em lidar com a sexualidade, está ligada ao fato da sociedade associá-la à obscenidade, a algo sujo, pecaminoso e proibido (MOIZÉS & BUENO, 2010). É importante considerar que a educação sexual deve ser feita de forma a construir conhecimentos desprovidos de qualquer tipo de ideia que a alie a sexualidade à impureza ou coisa pecaminosa. Os pais precisam ter consciência de que os filhos não vão ficar sem informação, se as respostas não vierem de casa eles buscarão em amigos, que também têm poucas informações e acabam conturbando os fatos, ou buscam na internet. A melhor forma de proteção da criança é o diálogo, conversar sobre o assunto e dizê-la que  acredita nela, que podem conversar sobre tudo, deixar claro que ela pode confiar.  O abuso sexual deve ser denunciado sempre, pois só assim poderemos proteger nossas crianças. A denuncia pode ser anônima no disque 100 e a partir daí seguirá um fluxo para preservar a integridade da pessoa. Neste link tem um Fluxo da denuncia: http://www.podeserabuso.org.br/canais-de-denuncia/

Não negligencie esse papel que é seu!

“Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. 1 Timóteo 5:8.

Autora: Lari Farias

 

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