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terça-feira, março 2, 2021

Ações solidárias priorizaram distribuição de alimentos em favelas

Um estudo do Observatório de Favelas revela que a grande maioria das ações solidárias criadas no Rio de Janeiro durante a pandemia de covid-19 tiveram como objetivo garantir a segurança alimentar dos moradores das favelas. Os dados estão no 11º Boletim Mapa Social do Corona, que levantou informações sobre 140 iniciativas da sociedade civil e das camadas populares da cidade.

Segundo o diretor do Observatório de Favelas, Aruan Braga, um dos integrantes do eixo de Políticas Urbanas da organização, núcleo responsável pelo boletim, as iniciativas mostraram que a favela é uma referência nas ações de solidariedade, pois 80% das ações mapeadas tiveram origem nos próprios territórios.

“Dentro dessas 140 que a gente mapeou, tem diferentes organizações e formatos de atuação. Tem instituições universitárias, de centros de pesquisa. Porém, mais de 80% dessas mapeadas são oriundas de favelas e periferias, de organizações locais, de lideranças do território, de coletivos antigos ou novos que surgiram para dar conta de responder a esse desafio que a gente tem vivido nesse momento da pandemia”.

Das 140 ações mapeadas, 113 trabalham com a distribuição de alimentos, de forma exclusiva ou complementar, confirmando ser este o principal problema a ser combatido em tempos de pandemia.

“[Esse é um dado que] colocou em exposição a vulnerabilidade nas condições de alimentação dessa população, objetivamente. As principais ações de resposta à pandemia não foram necessariamente ações de orientação ou de saúde, mas teve como foco principal o enfrentamento à insegurança alimentar”, disse.

Do total de ações, 88 trabalham com higiene pessoal e limpeza, como distribuição de sabão, álcool em gel e até mesmo o acesso à água tratada; 45 incluíram comunicação virtual; 21 comunicação offline; dez fizeram pesquisa; e oito fizeram distribuição de renda direta. Cada ação pode envolver mais de um tipo de iniciativa.

Diminuição

Os dados foram coletados a partir de novembro e indicam uma diminuição nas doações para as ações nos territórios com relação aos primeiros meses da pandemia, fazendo com que algumas iniciativas fossem obrigadas a encerrar as atividades. Braga alerta que as ações solidárias chegaram em seu limite de atuação, mas é fundamental que sejam ampliadas nos próximos meses para assegurar a alimentação das pessoas mais necessitadas.

“Essas organizações foram centrais e indicam para onde devem seguir as ações públicas e privadas de enfrentamento à pandemia nesses territórios populares. São indicações para nós, enquanto sociedade, e para o poder público, como ator principal que precisa assumir o seu protagonismo no enfrentamento à pandemia, mas que não foi o que a gente conseguiu identificar nesse período”.

Os boletins do Mapa Social do Corona começaram a ser produzidos em abril e abordaram elementos estruturais da desigualdade no Rio de Janeiro, como a mobilidade urbana, as condições de habitação nos territórios populares, questões de gênero e de raça, analisados à luz da pandemia. Também foram produzidas edições apontando caminhos possíveis para ações de enfrentamento da pandemia.

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