A parada do Brasil pós carnaval é um marco para exercitar a imaginação e pensar no período pós pandemia do Coronavírus. Algumas certezas temos de antemão, perdemos riquezas e principalmente capital humano, dado que vidas importantes foram ceifadas.
Como em todo planejamento estratégico é necessário desenvolver um diagnóstico: saber onde estamos? Posteriormente colocar os objetivos de onde queremos chegar? e a qualidade do planejamento será função da qualidade de unir com harmonia, estes pontos.
A reflexão sobre onde estamos, nos mostra uma realidade bastante difícil. A qual vamos diagnosticar nas próximas linhas: somos um país desigual, dependente, injusto e pobre (para a maioria dos brasileiros).
Os traços de desigualdades social entre a nossa população dificulta a formação de uma cultura harmônica e vencedora, um importante economista cunhou o termo Belíndia, alguns vivem no Brasil como estivéssemos na Bélgica e grande parte como na Índia. A injustiça configura-se no fato que não são oferecidas as mesmas condições para todos os brasileiros, existe um hiato abissal sobre as condições de acesso, principalmente educação e saúde. Temos alta dependência de produtos, serviços e capital do exterior, pois o nosso padrão de consumo é internacional, influenciado por uma cultura de consumo transversal em todas classes sociais. Somos pobres, pois, apesar da renda média ser aceitável, existe grande concentração fazendo com que parte significativa da população seja sentenciada a viver com menos de uma salário mínimo.
Observamos no último programa de emergência social o Voucher coronavírus, que o Governo cadastrou 30 milhões de brasileiros, vivendo em condições de informalidade e subempregos. Triste realidade, a realidade desnudou aspectos graves, que estavam submersos pela rotina avassaladora e inibidora do raciocínio crítico.
Temos problemas estruturais, a produtividade do país é baixa, mas, como melhorar a produtividade sem lidar e alterar com aspectos graves como os destacados. Como as pessoas honestas e trabalhadoras podem viver em condições tão desfavoráveis, em favelas, em ribeirinhas, ou mesmo na rua.
Como considerar normal, situação em que pessoas vivem sem água encanada, sem esgoto, na beira de córregos, convivendo com bactérias e condições altamente insalubres.
O que justifica aceitar tantas diferenças entre as pessoas? como não pensar em justiça social? como achar que os mais pobres não estão condenados a viver para simplesmente sobreviver?
Clama um novo modelo de sociedade, a qual busque diminuir as lacunas entre as pessoas, a qual tenha como prioridade o emprego, a dignidade para as pessoas, a busca da cooperação, não se pode aceitar que a maioria dos jovens de 15 a 29 anos tenham como principal motivo de morte a violência, não podemos considerar normal que mais de 50 mil pessoas morram por anos vitimadas por violência.
Não podemos considerar normal que os representantes do povo, utilizem o legislativo para comercializar a sua parcela de representatividade outorgada pelo povo e não lutar pelos direitos do mesmo.
Não podemos considerar normal que a nossa indústria, importante empregadora e geradora de renda seja desmobilizada e transfira os empregos para a China, impondo a submissão comercial em produtos simples, como máscaras.
Temos que pensar o que queremos? corrigindo a realidade sofrível que é secular e se acentua aos nossos olhos, muitas vezes míopes pela comodidade parcial.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Coordenador Universitário de curso de administração.








