“Não se enfrentam situações complexas com soluções simples”
A pandemia segue forte rompendo limites e trazendo um grande lastro de tristeza e medo. É conhecida a condição peculiar do vírus e a sua condição de destruição quando encontra pouca resistência a sua disseminação, comprometendo sistemas (principalmente respiratórios).
A sua disseminação é impossível de deter completamente num mundo global e com grande fluxo de pessoas. A grande arma para contenção é a educação e cuidados com a higienização, alguns costumes simples, são renegados ao segundo plano nas dinâmicas e ocupações diárias. Ou mesmo, impossibilitados dadas as condições de aglomerações de famílias em submoradias e comunidades.
A qualidade da gestão da crise epidêmica envolve esforços e contribuições de diversos campos do conhecimento, o papel central na discussão deve ser da área da saúde, todavia, envolve uma demanda acentuada de elementos de gestão.
Os aspectos de governança e coordenação são centrais para enfrentamento de uma crise com alta capilaridade. As diferentes esferas de governo deveriam ser coordenadas, considerando os aspectos de oferta de equipamentos e sistema de saúde local para tratamento, características de adensamento populacional, propensão da população para doenças e mesmo condições ambientais.
A oferta de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs deveria ser centralizada melhorando as condições de aquisição e logísticas, assim como a orientação dos equipamentos de saúde para atendimento. O Sistema único de Saúde merecidamente considerado uma das referências no país carece de melhor cuidados, dado que a saúde consome parcela significativa dos orçamentos públicos.
Institucionalmente, é necessário que exista maior transparência na definição dos organismos decisores, considerando o funcionamento da atividade produtiva, evitando a pressão local e diferentes percepções descoordenadas. O mal exemplo dos E.U.A numa briga entre a federação e o estado epicentro da pandemia, evidencia isso. É importante destacar que diferentes locais terão diferentes propensão aos efeitos da crise epidêmica.
A comunicação também deve exercer um papel de destaque. É importante o desenvolvimento de painéis de controle com as informações das variáveis mais importantes, como regiões com maior incidência de contágio, obediência ao isolamento e disponibilidade de infraestrutura, com atualizações em tempo real.
Outro aspecto merecedor de registro envolve a necessidade de mudança comportamental das pessoas para alteração da maneira de fazer as coisas, a cultura somente será alterada com o alinhamento dos discursos das lideranças, não é plausível a minimização dos riscos de uma pandemia, a qual paralisou o mundo e ceifa vidas diariamente.
A retomada dos segmentos produtivos com a deve buscar a máxima transparência, com planos claros, objetivos, riscos e ações de contingências, buscando retomar as atividades com a mitigação máxima dos riscos. O cenário ideal surge quando a capacidade de pessoas recuperadas é superior a quantidade de infectados em dado período, sendo que para que seja possível a recuperação é necessária ofertar capacidade de atendimento hospitalar.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Coordenador Universitário de curso de administração.








