Figura 1: laboratório DE WUHAN/CHINA.
“A falta ou equívoco das informações, constituem um
cenário propício para a criatividade humana criar contextos”
A terrível pandemia do COVID 19 continua a espalhar os seus efeitos desastrosos no mundo, mais de 4 milhões de vidas foram ceifadas, somente na América do Sul, mais de 01 milhão de habitantes não estão entre nós.
No Brasil os números são tão portentosos quanto a sua dimensão e população e já ultrapassam 530 mil mortos. O estado de São Paulo, o mais rico da federação é a prova real de falência do sistema público, na qual até falta de oxigênio ocorreu e contabiliza quase 140 mil mortos pouco abaixo dos números registrados no continente africano.
Como destacado em qualquer manual de gestão da qualidade, um dos principais aspectos para se buscar a solução de algum problema, está na busca das causas raízes, possibilitando estabelecer as relações de causa e efeitos. a maioria dos cientistas acredita que entender como e onde o vírus se originou é crucial para evitar que aconteça novamente.
Curiosamente, os pesquisadores americanos identificaram que a pedido de cientistas chineses, as bases de dados de material genético da circulação inicial do vírus foram deletadas, direcionado a discussão para as teorias iniciais de contaminação humana por meio de um vetor animal, sendo dominantes.
A ideia foi apoiada pelo relatório da OMS, que dizia ser muito provável que Covid tivesse chegado aos humanos por meio de um hospedeiro intermediário, os defensores da hipótese da origem natural dizem que o Covid-19 surgiu em morcegos e então saltou para os humanos, provavelmente por meio de outro animal. Com o passar do tempo, os cientistas não encontraram um vírus em morcegos ou em outro animal que corresponda à composição genética de Covid-19, lançando dúvidas sobre a teoria.
Nos últimos meses, novos elementos surgiram, por exemplo, a famosa divulgação dos e-mails do Dr. Antoni Fauci, autoridade americana máxima no controle da pandemia e o surgimento de algumas evidências que fortalecem a teoria que ocorreu vazamento do vírus no laboratório de Wuhan, instituto que fica a 40 minutos de carro do mercado úmido de Huanan, onde o primeiro grupo de infecções surgiu em Wuhan, suspeita-se que o coronavírus possa ter escapado, acidentalmente ou não, importante ressaltar que o Wuhan Institute of Virology (WIV) vem estudando coronavírus em morcegos há mais de uma década.
Um relatório confidencial da inteligência dos EUA começou a circular na mídia dos EUA esta semana, com a informação que aponta que três pesquisadores do laboratório de Wuhan foram tratados no hospital em novembro de 2019, pouco antes de o vírus começar a infectar humanos na cidade.
Cientistas renomados criticaram o relatório da Organização Mundial de Saúde por não levar a teoria do vazamento de laboratório a sério o suficiente, sendo descartada rapidamente numa visita no início do ano. Os cientistas argumentam que o vazamento do laboratório deve ser examinado mais de perto, até a obtenção de dados conclusivos.
Ao mesmo tempo, as polêmicas características das pesquisas em Wuhan aumentam as desconfianças, sobretudo os experimentos em laboratórios com os vírus, a metodologia do “ganho de função” com o objetivo de aumentar a capacidade de um patógeno causar doenças, ajudam a definir, o potencial pandêmico de agentes infecciosos emergentes, orientando esforços de políticas públicas na saúde.
De certezas, são a necessidade de investigação com profundidade das origens da pandemia, com transparência e sem viés geopolítico e ideológico, visto que a pouca transparência da China em relação aos dados da doença foram combustíveis poderosos para alimentar as teorias da conspiração; ao mesmo tempo que dificultam as análises comparativas de impacto. Paralelamente, a OMS precisa se fortalecer e exercer maior papel de coordenação na perspectiva global.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Professor Universitário.








