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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

METAVERSO – SURGIU A NOVA INTERNET?

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  • A Internet com o protocolo IP tornou-se realidade na vida das pessoas que as utilizam nas mais variadas maneiras e motivos, desde a útil utilização para meio de contatos para prestação de serviços até recreações duvidosas na rede, inclusive com pornografias.
  • A pandemia do COVID 19 antecipou tendências e consolidou novas aplicações, hoje, nenhuma atividade econômica se abstém do impacto da rede, como consultas médicas, aulas, compras, transferências e contatos sociais.
  • O Ecossistema do Metaverso está baseado em mecanismos cada vez mais sofisticados para transportar o usuário para o universo digital em experiências totalmente imersivas, interativas e com alto grau de realismo. Muito já se fala de inteligência artificial e realidade virtual e aumentada.
  • Fundamental pontuar que a evolução tecnológica impulsionou a nossa realidade de uma perspectiva totalmente física para meios digitais. O digital de maneira pouco cerimoniosa vem gradativamente permeando e determinando a experiência humana, absorvendo atividades que anteriormente pertenciam apenas à dimensão física, como é o caso de jogos, música, filmes, compras (mesmo de bens tangíveis), relacionamentos.
  • não menos importante, a tendência ao domínio de grandes empresas multinacionais, as BIGTechs, as quais estão distantes de retornar a sociedade parcela dos benefícios que se apropriam e ao mesmo tempo dos diversos malefícios que ocasionam.

DISCUSSÃO E FUNDAMENTAÇÃO

O Brasil é um país que se notabiliza por aderir com velocidade as mudanças tecnológicas, esse fato não impede que ocorram problemas. Eles são muitos e variados, desde a questão da infraestrutura deficitária, da dificuldade de aquisição de equipamentos e acesso adequado, ou mesmo, dificuldades estruturantes, como a desconfortável posição de 5º país com maior número de crimes cibernéticos, no Brasil no primeiro semestre de 2021 contabilizou-se mais de 9.3 milhões de ocorrências.

Recentemente, observou-se que a tecnologia das transferências eletrônicas no país agregou ao seu sucesso da alta adesão a modalidade, o incomodo aumento de crimes de sequestros relâmpagos, fato que enseja mudanças imediatas no sistema e limitações “off road” nas transações.

A Internet com o protocolo IP tornou-se realidade na vida das pessoas que as utilizam nas mais variadas maneiras e motivos, desde a útil utilização virtuosa como meio de contatos para prestação de serviços até recreações duvidosas na rede, inclusive com pornografias.

Com a pandemia, e o distanciamento obrigatório e radical, a internet tornou-se ainda mais necessária, com meio principal de conexão para atender diversas demandas.

Esse processo antecipou tendências e consolidou novas aplicações, hoje, nenhuma atividade econômica se abstém do impacto da rede, consultas médicas por exemplo, tornaram-se comuns, aulas, compras, transferências e contatos sociais.

Naturalmente, surgem demandas para aumentar o grau, nível e até mesmo natureza das interações, ressuscitando conceitos como o de interagir numa realidade virtual, criando uma vida paralela. Esse fato não é inédito dado que emergiu com força no início do século, com a plataforma “Second Life”.

Para justiça histórica, o termo Metaverso foi cunhado pela primeira vez em 1992 na obra “Nevasca” (Snowcrash), de Neal Stephenson. Aproveitando o espaço para referências, cabe o destaque para a excelente série da Netflix: Black Mirror, que traz luz para a discussão.

METAVERSO UM NOVO MUNDO?

O Metaverso está baseado num ecossistema com mecanismos cada vez mais sofisticados para transportar o usuário para o universo digital em experiências totalmente imersivas, interativas e com alto grau de realismo. Muito já se fala de inteligência artificial e realidade virtual e aumentada.

Fundamental pontuar que a evolução tecnológica impulsionou a nossa realidade de uma perspectiva totalmente física para meios digitais. O digital de maneira pouco cerimoniosa vem gradativamente permeando e determinando a experiência humana, absorvendo atividades que anteriormente pertenciam apenas à dimensão física, como é o caso de jogos, música, filmes, compras (mesmo de bens tangíveis), relacionamentos.

De forma consentida, mas, pouco fundamentada, possibilitamos a aceleração tecnológica, esse processo tende a transferir cada vez mais partes de nossas vidas para o ambiente digital, deslocando continuamente o polo de valor para as realidades mistas.

As realidades mistas possuem uma lógica arriscada de não limites, tudo é possível. É importante notar que uma das principais diferenças entre as realidades físicas e realidades mistas é que, enquanto a primeira é limitada, impondo-se da mesma forma a todos, a segunda é personalizável e ilimitada, permitindo customizações infinitas com quaisquer combinações de configurações físico-digitais em função das necessidades e preferências de cada indivíduo.

PRÓXIMOS PASSOS

Neste ambiente sem limites, permite que tudo que existe no físico é passível de ser transportado para esse novo ecossistema, tendo como roteirista o cidadão comum, o qual estará revestido da figura de um avatar. A indústria de game já trabalha com esta nova realidade e inclusive, já consegue monetizar com a comercialização de vestimentas e armas nos jogos.

Na indústria que, em breve, poderemos ter experiências virtuais muito próximas daquelas da vida real. Teremos a opção de ir a um evento como o Consumer Electronics Show ou ficar em casa e acessar plataformas inovadoras, com resultados semelhantes e até superiores ao presencial, uma vez que a tecnologia é capaz de proporcionar elementos lúdicos durante o aprendizado e conectar mais pessoas com interesses em comum.

Dentro de um metaverso, as marcas poderão interagir de forma turbinada se comparada ao que ocorre hoje nas mídias sociais. Visualizar produtos 3D, conversar com assistentes virtuais para tirar dúvidas, jogar um game para ganhar desconto, encontrar com sua tribo e discutir um tema qualquer, desenvolver roupas para os avatares.

O segmento de capacitação vai aumentar seguramente a produtividade com as simulações, para exemplificar, pode ser que as horas de voos, poderão ser computadas com base em simulações.

E OS RISCOS?

São enormes, desde o plano individual, com os efeitos na psique das pessoas, e o grau de maturidade com que elas poderão interagir com a nova plataforma. Também, tal qual a Internet, que ainda não foi resolvido, os inúmeros problemas sociais que advirão da utilização em grande escala. E não menos importante, a tendência ao domínio de grandes empresas multinacionais, as BIGTechs, as quais estão distantes de retornar a sociedade parcela dos benefícios que de apropriam e ao mesmo tempo dos diversos malefícios que ocasionam.

Devanildo Damião

Mestre e Doutor em gestão tecnológica

Pesquisador da Universidade de São Paulo

Professor Universitário.

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