32.5 C
Guarulhos
sexta-feira, fevereiro 13, 2026

ARI BADDINI TAVARES: O MITO DA EDUCAÇÃO DE GUARULHOS.

spot_img
spot_img

DESTAQUES

Envelhecer é perder amigos.

Essa pequena frase em que não me atrevo a dizer a autoria, para não cometer injustiça, infelizmente, teima em estar presente atualmente, com maior intensidade do que em tempos anteriores.

Novembro marcou o passamento do nobre e expressivo intelectual da cidade Ari Baddini Tavares. Liderança que conjugava de forma extraordinária as ações precípuas da gestão, planejamento, organização, direção e controle.

Como importante executivo, foi Diretor da empresa FEPASA (Ferrovia Paulista S.A.) e da agência de publicidade Projeção, além do Diário Popular e Folha de São Paulo. As suas obras literárias o credenciaram a exercer a presidência da ACG (Academia Guarulhense de Letras), na qual era membro fundador da instituição.

Acadêmico, de notório saber, passou por diversas áreas do Centro Universitário FIG UNIMESP, sendo considerado por muitos como a referência da instituição. Um fato marcante na atuação é que procurava sempre fundamentar as convicções em teorias, e aproveitava-se do repertório da economia e administração para potencializar as ideias. Gostava da vida, gostava de pessoas, tinha vasta conhecimento cultural e a curiosidade era o combustível para entender o contexto e os efeitos potenciais das ações.

Possuía muitas qualidades, dentre as quais a simplificação de temas complexos. Lembro de uma conversa cotidiana, em que ele no alto do seu conhecimento catedrático, singelamente, explicou que a maioria dos conteúdos dos conteúdos disciplinares eram comodities como a massa de macarrão. O diferencial de um bom professor seria as metodologias para ensinar, as quais seriam o molho, aquilo que diferencia e oferece o sabor.

Era um apaixonado pelo ensino superior e defendia a preponderância da vocação, o amor aos alunos, qual deveria estar presente em todos que lidam com educação. Era um extremo conciliador e buscava a melhor solução possível. Provocado a atuar, com altivez, conseguia o tempo e a precisão para resolver conflitos. Lembro de uma ocasião em que eu estava irredutível em aplicar uma nova prova para um aluno, que precisava viajar ao exterior e que não conseguiu a média, estando retido para o próximo ano. Eu argumentava que todos iriam reivindicar aquele direito, ele não contestou e pareceu concordar comigo, somente pediu para que eu fizesse um levantamento de quantos alunos daquela turma iriam viajar para o exterior no próximo ano, na semana seguinte apliquei uma nova prova.

O seu perfil e a maneira como se expressava: calmo, sereno e afirmativo, eram determinantes para refugar argumentos fúteis e narrativas ineficazes. A maneira como se portava e o conhecimento que acumulava eram suficientes para que o interlocutor sentisse desconfortável ao não ter pautas lógicas e voltadas ao desenvolvimento.

Dominava a comunicação, textos com precisão cirúrgica e não se negava a passar conceitos, mesmo que custasse minutos da agenda concorrida. Adotou e amava como poucos a cidade de Guarulhos, tinha teses curiosas e lógicas, dentre as quais aquela que explicava que os congestionamentos da Rodovia Dutra foram determinantes para o fortalecimento do comércio na cidade de Guarulhos, pois, as pessoas evitavam o congestionamento e descobriram o comércio local.

Devanildo Damião

Mestre e Doutor em gestão tecnológica, administrador, consultor, professor universitário e Conselheiro em educação superior.

spot_img

Em alta

spot_img
spot_img

Notícias relacionadas