Estamos chegando ao fim do ano e o 13º salário também já está ai. Esse salário
“extra” que recebemos todos os anos, é garantido pelas leis trabalhistas do
nosso país há quase 60 anos. Foi criado pelo Deputado Federal Aarão
Steinbruch e assinado pelo então presidente João Goulart no ano de 1962.
No princípio, era chamado também de gratificação de Natal, isso porque, antes
de virar uma lei e ser obrigatório, algumas empresas, por livre e espontânea
vontade, davam aos seus funcionários uma bonificação, que não tinha um valor
estipulado e variava de empresa para empresa.
Mas não foi fácil conseguir esse benefício.
Na década de 50, foi feita uma proposta parecida na Câmara, porém não seguiu
adiante. Foram muitas lutas e pessoas a favor e contra a instituição do 13º
salário. Poucas semanas antes de ser assinada a lei do 13º salário, o jornal O
Globo publicou uma reportagem em que patrões e economistas previam que o
13º sobrecarregaria as empresas e pressionaria a inflação. O título:
“Considerado desastroso para o país o 13º mês de salário”.
Houveram muitas manifestações, greves, conversas, enfim, até que o 13º foi
decretado e está aí até os dias atuais.
Apesar das previsões iniciais serem negativas, o impacto do 13º salário na
economia tem se mostrado muito positivo. Em 2011, pelas estimativas do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
só a segunda parcela do 13º injetou R$ 118 bilhões no mercado — 3% do
produto interno bruto (PIB).
Isso aumenta o consumo, que faz a roda da economia girar. Quanto mais
dinheiro as pessoas ganham, mais elas gastam. É uma conta básica.
Mas você sabe o que fazer com o 13º salário? tem planos para ele?
O 13º salário, como vimos, é um salário extra, é um dinheiro que recebemos e
que, na teoria, não precisamos, pois vivemos 12 meses sem ele. O que acontece
é que as pessoas, muito antes de receber o 13º, já comprometem esse valor
com compras ou dívidas e acabam nem usufruindo desse “benefício”.
Na minha opinião, um dos maiores erros no uso do 13º salário é…
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC), no último mês de outubro, o Brasil atingiu a marca de 74,6% das
famílias endividadas. Isso quer dizer que, menos de 1/3 da população não tem
dívidas.
Provavelmente você, que está lendo esse artigo agora, possui alguma dívida e,
quando falamos de 13º salário, já lhe vem à mente essa dívida que você já não
aguenta mais pagar e o maior desejo é quitá-la o mais rápido possível. Então o
13º acaba sendo o salvador da pátria.
Como educador financeiro, digo que, utilizar o 13º para quitar dívidas, pode
ser um erro! Calma, vou explicar melhor.
Se você tem dívidas, parcelamentos no cartão de crédito, parcelas de
financiamento imobiliário ou de veículo, empréstimo, carnê, enfim, não importa,
qualquer parcelamento que você tenha e quer aproveitar o 13º para quitar,
responda uma pergunta antes: esse parcelamento está sendo pago em dia? se
a resposta for sim, não quite! Continue pagando, mesmo que tenha algum
desconto para adiantar parcelas.
Se a resposta for não e você já está inadimplente com a sua dívida,
continue lendo que vou falar sobre isso no final.
Porque não quitar ou adiantar parcelas e aliviar o meu orçamento? Vamos
a algumas situações.
Responda a essas perguntas: você possui uma reserva financeira? (chamamos
de reserva estratégica). Se você precisar de um dinheiro extra, para qualquer
tipo de situação, emergência ou oportunidade, você possui um valor guardado?
Se a partir de hoje, você não recebesse mais o seu ganho mensal, por quanto
tempo manteria seu atual padrão de vida?
Se a sua resposta for que não tem reserva, não possui dinheiro para
oportunidades ou emergências e não manteria seu padrão de vida sem o seu
ganho mensal, reitero que você não deve usar o 13º para quitar dívidas ou
parcelas. Aproveite a oportunidade e faça uma reserva.
Se você está com suas dívidas em dia, não tem necessidade de se desesperar
e utilizar os recursos que vierem à sua mão para ir adiantando essas parcelas
ou quitar alguma dívida. Você pode ir montando sua reserva, poupando para os
sonhos e até mesmo para sua aposentadoria sustentável. Sugiro nesse caso,
que você guarde no mínimo, 50% do valor do seu 13º. Os outros 50% você pode
aproveitar para as festas de fim de ano, por exemplo. Afinal, ninguém é de ferro!
Além disso, você também pode usar esse recurso, para se programar para as
contas de início de ano, como IPVA, IPTU, matricula escolar, material escolar,
entre outros gastos que temos no início do ano.
Lembre-se, esse é um dinheiro “extra”, você não viveu com ele o ano inteiro, não
tenha ele como necessário, você pode fazer uso muito mais proveitoso desse
valor.
Agora, como citei mais acima, tem a situação de inadimplência, que é quando
você não conseguiu pagar a dívida em dia e ela está em atraso e até mesmo
com seu nome nos órgãos de proteção ao crédito (nome sujo). Nesse caso, é
viável avaliar a possibilidade de utilizar o 13º para pagamento dessa dívida, mas
você deve se atentar para a seguinte questão:
Com o valor do 13º, eu consigo quitar essa dívida à vista?
Se você conseguir negociar a dívida e pagar à vista, quite. Se não for possível
pagar essa dívida à vista no momento, o valor do 13º não for suficiente para isso,
guarde o valor, reserve e vá tentando negociar com o valor que tem em mãos.
Se for o caso, poupe mais um pouco, mês a mês e vai aumentando esse valor
para quitação no futuro. Não se preocupe com nome sujo, ligações e cobranças,
fique tranquilo e foque no propósito de poupar para quitar em breve essa dívida.
Não há situação difícil que não possa ser resolvida. Precisamos ter calma e
tranquilidade. Desespero nesse momento só faz com que tenhamos atitudes
erradas e o resultado depois é pior do que a situação atual. Então não tome
atitudes precipitadas.
Desejo que você faça o bom uso do seu 13º. De forma sustentável e com
consciência. Sempre pensando no seu futuro e das suas gerações.
Um grande abraço e até mais.
Rafael Martins é Educador Financeiro formado pela DSOP e Pós Graduando em
Gestão Empreendedora e Educação Financeira. Atua com Palestras, Workshops
e Mentorias de Educação Financeira pela Metodologia DSOP. É também CEO
da empresa RT Serviços Financeiros que atua com venda de Seguros,
Consórcios e Financiamentos








