O longo período de pandemia, ainda em curso, permite fazer análises retrospectivas, no que tange aos diferentes efeitos em momentos diversos. Infelizmente, pouco restou daquilo que considero o melhor: a visão de solidariedade e busca de uma sociedade melhor. Infelizmente, foi um evento efêmero, o qual dominou a sociedade quando o pânico se instalou e a finitude ficou latente.
Mas, pouco a pouco foi emergindo a individualidade, a busca de obtenção de vantagens sobre os indivíduos (lei de Gerson) e os avanços na ciência prenunciaram o desequilíbrio: maior expectativa de sobrevivência e menor responsabilidade social. Os diferentes grupos se integraram em menor medida por princípios autênticos e na maioria para defesa de interesses localizados. O custo de vida foi elevado a potência, a qualidade de atendimento reduzida e as negociações se multiplicaram.
No Brasil, especificamente, já entrou na pandemia com um déficit secular de condições mínimas de dignidade à população. Os dados são avassaladores: cerca de 15% das pessoas sem água potável, quase 50% de pessoas sem esgoto, grande parte da população morando em comunidades em condições precárias e apesar do esforço do SUS, tratamento de saúde deficiente.
Para piorar, lideranças ineptas e pouco criativas e o festival de insanidades administrativas. Os comportamentos foram desnudados e raras exceções são dignas de elogios. Ampliando o arco de observação, a sociedade evidenciou discussões desprezíveis e pessoas despreparadas para o protagonismo da rede social. Estas mostraram a verdadeira face: falando em democracia sem respeitar a opinião adversa, falando de ciência e desconhecedor da importância e rigor dos métodos de comprovação e falar de respeito a vida, desejando a morte de quem pensa diferente.
As inovações surgiram na forma de golpes, a tentativa de prejudicar o inocente ganhou corpo e escala, os crimes cibernéticos facilitaram a atuação de bandidos no formato virtual, a coincidência da entrada do sistema de transações eletrônicas, o PIX foi acompanhado de inúmeras tentativas de rapinagens.
As vacinas e equipamentos hospitalares foram um capítulo à parte, lideranças e políticos tentando se vangloriar imoralmente do trabalho sério de entidades seculares, desvios das mais variadas espécies e desvio dos focos de investigações foram comuns.
Tecnologias avançadas ilegais como o Ransomware se multiplicaram, com novo recorde em 2021 com mais de meio bilhão de casos. Simplificando o Ransomware é um sequestrador de dados virtuais, ele toma posse dos arquivos do computador de uma empresa e aplica técnicas para criptografá-los. Idêntico ao sequestro, os criminosos exigem dinheiro para restaurar o acesso, sendo um crime vantajoso.
A pandemia acelerou o apelo as redes sociais, os adolescentes e até mesmo a população adulta já está inserida nas redes. Desde as compras, os relacionamentos e atividades como paquera: Tinder e Bumble até redes para integração social e profissional como Facebook, LinkedIn e Instagram. As pessoas concentram parte da vida nestes ambientes e possuem dificuldades de ignorar os efeitos de um like ou dislike.
Mas, ainda existe esperança e depende de nós, uma vida baseada em valores e relacionamentos seguramente, podem servir como determinante para uma realidade melhor, e temos o paradigma que não basta voltar ao período que antecedeu a pandemia, necessariamente, precisamos melhorar a sociedade. Devanildo Damião – Acadêmico pensador, Mestre e Doutor em Gestão Tecnológica, Pesquisador, Professor Universitário e membro da cadeira 09 da Academia Guarulhense de Letras








