A importância e característica da atual disputa eleitoral, instiga-me a colocar algumas opiniões pessoais e totalmente imparciais baseadas nas observações, sem, contudo, ser mitigadora de eventuais erros. Almeja-se simplesmente, motivar e ajudar a entender o contexto eleitoral.
Considerando que faltam uma semana para o segundo turno das eleições de 2022, é possível fazer algumas suposições com boas probabilidades de acerto, por exemplo, a vitória do candidato Tarcísio Freitas para o Governo de São Paulo, finalizando a uma longa prevalência do PSDB no governo do Estado de São Paulo. Ao Senado, o qual teve característica de eleição majoritária, venceu o Astronauta Marcos Pontes, figura de destaque antes da política, mas, com imagem está bastante ligada ao atual executivo.
Neste contexto, a análise no do estado de São Paulo remete para a quase certeza da vitória do candidato da situação a Presidente, por aqui, visto que é ligado a valores conservadores. Mas, ressalta-se que apesar do tamanho do colégio eleitoral paulista equivaler ao do Nordeste, não é o suficiente para ganhar a eleição em nível nacional, ficando o desafio de projetar a dimensão da vitória, a qual atingiu no Estado de São Paulo mais de 2 milhões de votos no primeiro turno.
Decerto é o fato de que o candidato de oposição, tem terreno fértil, consolidado e muitos votos no Nordeste do país, como destacaremos adiante. No primeiro turno, ele apresentou ampla vantagem do candidato progressista da oposição no Nordeste, em números absolutos mais de 12.9 milhões, uma grande dianteira. Sendo seguramente o fator determinante que permitiu atingir a liderança total no primeiro turno do País com mais de 48,4% e seis milhões de votos.
Dada a grande população de mais de 214 milhões de habitantes, o Brasil possuí mais de 156 milhões de eleitores, conformando um dos maiores do mundo, pode-se projetar a abstenção histórica, em torno de 20%, a qual deve ser superior a 21% neste segundo turno. Coloca-se em disputa, algo em torno de 120 milhões de votos válidos, dado o percentual de 4,5% de brancos e nulos, que deve permanecer. Projeta-se que para vencer o candidato deve se obter em torno de 60 milhões de votos, e a disputa permanece acirrada e sem favorito.
Os colégios eleitorais do Sudeste e Nordeste correspondem a 43% e 27% respectivamente do eleitorado nacional, com grande impacto, sobretudo no cenário atual, cujo, todos os eleitores dos nove estados do Nordeste demonstraram preferência por um único candidato.
Assim, mesmo com a boa vantagem que deve ter nas regiões Centro Oeste e Sul, não será suficiente para o candidato da situação, que projeto ganhar com pequena margem no Norte, fato que é provável. Mas, depende de vitória com ampla margem no Sudeste, com ampliação da votação nos colégios eleitorais de São Paulo e Rio de Janeiro e virada no Estado de Minas Gerais, neste último com margem acima de 01 milhão de votos.
De um lado o vencedor do primeiro turno segue trajetória tradicional centrada na demonstração de experiência na gestão e na desconstrução do adversário e do governo. Todavia, as pesquisas recentes não demonstram a assertividade desta estratégia para liquidar a fatura, evidenciando crescimento insuficiente.
Do outro lado, o crescimento apontado nas últimas pesquisas, aponta empate técnico no limite da margem de erro, parecendo refletir o impacto dos recentes programas sociais e diminuição da rejeição ao governo, o qual aposta na participação de debates, sabatinas e programas de internet para a aceleração final.
Neste interim, relacionado as pesquisas, merece destacar que os institutos que mais próximo do resultado no primeiro turno com erros na margem de erro foram aqueles menos badalados, como o MDA, Atlas e Paraná, em contrapartida aos mais famosos, os quais tiveram erros bem superiores.
Assim, com base na realidade apresentada e nos dados secundários disponíveis, pode-se adiantar que o resultado está em aberto, existe uma massa de indecisos a ser trabalhados e busca-se a diminuição da abstenção, que pode determinar o resultado.
Logicamente, dentro das regiões existem espaços para serem trabalhados, por exemplo, os progressistas tendem a ter maior votação nos centros urbanos, enquanto os conservadores no interior das cidades.
Portanto, preparem os corações, dado que as emoções serão fortes.
Devanildo Damião, professor universitário, administrador, empreendedor e cientista.








