Você já percebeu como nós estamos intolerantes e insensíveis?
No dia a dia, em decorrência de todo tumulto e rotina, acabamos não atentando para muitas coisas que acontecem ao nosso redor, sem perceber, deixamos passar muitos fatos que estão a ocorrer, pois, agimos de forma automática.
Ir à escola, a faculdade, ao mercado, ao trabalho, levar as crianças à escola, acompanhar os pais, os avós, enfim, diversas tarefas extenuantes e corriqueiras.
Recentemente um episódio lamentável me chamou atenção, e, a resposta dada para o acontecimento foi admirável e um grande alerta do quanto estamos errando e desprezando o que nossa fala pode causar ao próximo.
O treinador do time de futebol profissional do Goiás, Guto Ferreira foi humilhado e ridicularizado em razão de sua condição física por estar acima do peso.
O jornalista Lucas Nogueira, da TV Brasil Central de Goiânia, GO, durante a transmissão do clássico entre o Atlético e Goiás, pelo Campeonato Goiano “brincou” perigosamente com a condição do treinador dizendo que ele não conseguiria utilizar um microfone de lapela em razão da ausência do pescoço, e, foi acompanhado por outros dois jornalistas que gargalharam e enfatizaram a humilhação.
Repugnante, especialmente pelo fato de tudo acontecer em um meio de comunicação que atinge centenas de milhares de pessoas.
A resposta do treinador Guto foi imediata e precisa, esclarecendo que tinha sua condição resolvida, e que tamanha ofensa não lhe afetava, entretanto alertou que tal conduta estimula e torna normal a ridicularização de pessoas em razão de sua condição física e que atinge diretamente as crianças, que podem entender que é normal zombar das pessoas.
A postura dos jornalistas denota tamanho desprezo com o ser humano, uma vez que para se acharem engraçados utilizaram de elementos preconceituosos, impactando toda a sociedade.
Devemos estar alertas e atentos, bloqueando qualquer tipo de discriminação, saindo do tal automático, encerrando de uma vez por todas a cultura estrutural e perniciosa de não pensar no próximo.
Após perceber o erro, o jornalista admitiu o erro e se desculpou, mas, fica aqui a lição de casa, depois de tamanha grosseria e indelicadeza é válido o pedido de desculpas?
Fiquemos atentos.
Eduardo Ferrari Geraldes
Advogado e Conselheiro da OABSP








