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segunda-feira, fevereiro 16, 2026

O que rola além da bola?

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Por uma reflexão maior sobre o esporte

Venho de uma caminhada longa. Já atuei em vários cantos da Educação Física, estive com alunos dos mais diversos perfis, li muito, estudei, questionei. Uma das experiências que mais me impactou foi a pós em Sócio-Psicologia, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) em 2001. Eu com 20 anos, entre debates com filósofos, jornalistas, psicólogos e a leitura de grandes autores como Hannah Arendt, Foucault, todos autores da Escola de Frankfurt, eu comecei refletir sobre minha própria profissão e a entender que o esporte não é só técnica, não é só corpo, não é só competição.

O esporte é construção social. É linguagem, é política, é história. É poder. E isso muda tudo.

Por isso, confesso que me incomoda — e muito — ver o rumo que alguns profissionais e influenciadores têm dado à nossa área. É como se a Educação Física tivesse virado uma vitrine de corpos definidos e frases prontas, onde o sucesso é medido por seguidores e não por transformação real. Onde se repete um discurso raso, reducionista, que ignora o papel histórico e social do esporte.

O problema não é postar treino. É reduzir a profissão a isso. É esquecer que o esporte já foi usado como arma ideológica na Guerra Fria, que ele movimenta micro e macroeconomias, que ele educa, inclui, exclui, emancipa ou aliena — tudo depende da forma como é conduzido.

A verdade é que não dá mais pra pensar em Educação Física dessa maneira. Como aprendi o livro antigo do autor Lino Castellani, Educação Física no Brasil, a história que não se conta. Nosso campo é complexo, e nosso impacto é maior do que a maioria imagina. O corpo que se move carrega histórias, dores, lutas e contextos. Quem não entende isso, talvez precise se mover um pouco mais… mas não é na esteira, é na consciência.

Texto: Prof. Edu Vela

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