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quarta-feira, fevereiro 4, 2026

Conferência Nacional de Igualdade Racial terá cinco representantes de Guarulhos

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A cidade de Guarulhos enviará cinco representantes para a 5ª edição da Conferência Nacional da Igualdade Racial, que acontecerá entre 15 e 19 de setembro em Brasília (DF). A delegação contará com quatro mulheres e um homem, escolhidos durante a 5ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial, que aconteceu no Memorial da América Latina neste fim de semana (dias 26 e 27 de julho). No total foram eleitos 97 delegados para a etapa que acontecerá na capital do país.

A quantidade de delegados da cidade foi estabelecida a partir do critério de percentual de população negra na área. A região Guarulhos foi a quarta mais populosa do Estado que participou da conferência regional, realizada no final de maio e que contou com a participação de municípios da região do Alto Tietê, como Arujá, Itaquaquecetuba e Santa Isabel.

A conferência do último fim de semana destacou a elaboração de propostas para discutir os problemas enfrentados pela população negra, como a alta letalidade de sua juventude, a violência contra as comunidades de terreiro e a persistente desigualdade social ocasionada pelo racismo.

Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pela plataforma QuestionPro, divulgada no final do ano passado, mostra dados preocupantes do racismo: 39% das pessoas negras declaram não correr para pegar transporte coletivo porque têm medo de serem interpeladas. Também por medo, 36% dos negros já deixaram de pedir informações à polícia nas ruas. Devido a um possível constrangimento, 46% das pessoas negras já deixaram de entrar em alguma loja de marca para evitar embaraços, enquanto que 32% preferem não ir a agências bancárias e 31% deixaram de frequentar supermercados. No total, 73% dos negros entrevistados afirmaram que cenas vivenciadas de discriminação afetaram sua saúde mental.

Uma das palestras da conferência foi ministrada pela doutora em psicologia Cida Bento, autora do livro O Pacto da Branquitude, no qual analisa como a população branca historicamente silencia sobre o passado escravagista e colonialista, o que garante a ela uma série de benefícios em detrimento da população negra. Ela destacou a importância do diálogo com pares e familiares sobre o que significa ser negro no país, reconhecendo a necessidade de união para defender a igualdade. “Os negros são maioria representativa mas não estão nos lugares de poder, um quadro que precisa ser modificado”, afirmou.

Com o tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Social”, a conferência estadual promoveu debates com foco na superação de desigualdades estruturais que afetam a população negra, quilombola, indígena e cigana, além de povos de comunidades tradicionais. A conferência também buscou formas de estabelecer diretrizes para a atualização dos marcos legais de igualdade racial, fortalecer o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), garantir direitos e ampliar oportunidades para grupos étnico-raciais e étnico-culturais, monitorar políticas públicas à luz dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e promover uma política de comunicação antirracista e de enfrentamento às múltiplas forma de violência racial.

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