Segundo o Ministério da Saúde, seis em cada dez adultos estão acima do peso ideal. Especialista em Longevidade e Hormonologia classifica o cenário como uma epidemia
O relatório Vigitel 2025, uma das pesquisas mais influentes sobre saúde no Brasil, realizada via telefone e divulgada pelo Ministério da Saúde, revelou que mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso recomendado para sua altura. O cenário acende um alerta que ultrapassa as questões estéticas e reforça um problema de saúde pública.
A análise iniciou o monitoramento do sobrepeso e da obesidade no país em 2006, quando a taxa de obesidade era de aproximadamente 42,6% e hoje é de 62,6%. Desde o início da pesquisa, há 18 anos, o índice de brasileiros com obesidade cresceu significativamente. O estudo também mostrou um salto de 1,2 ponto percentual apenas entre 2023 e 2024.
O médico clínico Marcelo Bechara, estudioso em ciência da obesidade e especialista em Hormonologia e Reposição Hormonal Masculina pela Harvard Medical School, define o cenário como uma epidemia.
“O grande problema da obesidade são justamente as demais doenças associadas à condição. Ou seja, veremos cada vez mais novos casos de hipertensão, infarto, AVC, diabetes, esteatose hepática e até alguns tipos de câncer. O fato é que o sistema de saúde do país será cada vez mais sobrecarregado, com aumento significativo dos custos e maior dificuldade em garantir atendimento adequado à população. É uma verdadeira bomba-relógio”, analisa o especialista.
A pesquisa também revela alterações no padrão de exercícios físicos, em que atividades simples como caminhadas e deslocamentos a pé despencaram de 17%, em 2009, para 11,3% em 2024. Em contrapartida, houve um aumento de 42% da proporção de adultos que realizam atividade física moderada em seu tempo livre.
Em meio à ascensão das canetas emagrecedoras, o especialista adverte que, em muitos casos, a adoção de hábitos simples pode diminuir significativamente os índices de sobrepeso e gordura corporal.
“A prática regular de atividades físicas, aliada a uma alimentação saudável, rica em proteínas, verduras, legumes, vegetais e fibras, além da redução do estresse e de boas noites de sono, contribui diretamente para o funcionamento adequado do organismo. Outro ponto importante é o uso de medicamentos para o emagrecimento: nem todos os pacientes precisam de fármacos para eliminar gordura, sendo indispensável a indicação e o acompanhamento médico”, conclui.








