Fevereiro concentra decisões impulsivas e expõe o custo invisível da aposta emocional
Dados do Banco Central indicam que os brasileiros destinam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês a apostas online, volume que permanece elevado no início de 2025, mesmo após a regulamentação do setor. Em fevereiro, período marcado por fases decisivas de campeonatos e maior exposição do esporte, cresce também a incidência de decisões impulsivas, frequentemente tomadas sem apoio estatístico e associadas a perdas mais significativas.
Segundo Ricardo Santos, cientista de dados especialista em análise estatística e fundador da Fulltrader Sports, a combinação entre expectativa de ganho rápido, identificação emocional com clubes e necessidade de recuperação de prejuízos cria um ambiente propício a erros recorrentes. “A maior parte das perdas não está ligada ao desconhecimento do esporte, mas à quebra de método. Quando a emoção entra, a estatística sai”, afirma.
Estudos sobre comportamento em ambientes de risco, como os conduzidos pela Universidade de Cambridge e pela American Psychological Association, mostram que vieses como aversão à perda, excesso de confiança e ilusão de controle tendem a se intensificar em contextos de alta carga emocional. No esporte, esses fatores ganham força quando a aposta se confunde com a torcida, distorcendo a leitura objetiva dos dados.
Na prática, a diferença entre torcer e apostar ainda é um dos principais desafios para o apostador brasileiro. Para o especialista, essa fronteira precisa ser clara. “Torcer faz parte da experiência esportiva. Apostar exige distanciamento. Misturar os dois papéis é uma das principais causas de prejuízo”, diz.
Além do impacto individual, o comportamento impulsivo também gera efeitos para o próprio mercado. Plataformas que não oferecem mecanismos de controle acabam lidando com maior rotatividade de usuários e episódios de uso excessivo.
Em contrapartida, empresas que investem em análise comportamental, limites operacionais e educação do cliente observam maior retenção e decisões mais consistentes. “O usuário que entende seus próprios vieses toma decisões melhores e permanece mais tempo ativo”, avalia.
A busca por decisões mais racionais passa, cada vez mais, por método e apoio técnico. Nesse cenário, cresce a procura por empresas especializadas em dados, psicologia comportamental e inteligência estatística aplicada ao esporte.
O cuidado, segundo Ricardo, começa na contratação. “É essencial escolher empresas que trabalham com dados auditáveis, histórico estatístico e transparência metodológica. Promessas de retorno rápido costumam ser um sinal de alerta”, pontua.
O especialista apresenta quatro dicas de como reduzir o impacto da emoção nas decisões
Antes de listar estratégias, o especialista ressalta que disciplina não elimina o risco, mas reduz a exposição a erros previsíveis.
1- Estabelecer regras claras antes do jogo, com limites definidos de perda e ganho
2- Separar apostas de entretenimento das apostas estratégicas, evitando decisões baseadas em torcida
3- Utilizar dados históricos e probabilidades como base, não o momento emocional da partida
4- Evitar tentativas de recuperação imediata após perdas consecutivas
Para Ricardo, o amadurecimento do setor passa pelo reconhecimento desse custo invisível da aposta emocional. “A emoção faz parte do esporte, mas não pode comandar a decisão. Quando isso acontece, o prejuízo deixa de ser uma possibilidade e passa a ser uma consequência”, conclui.
Com a regulamentação em andamento e o avanço do uso de tecnologia no mercado, o cenário aponta para uma profissionalização gradual das apostas no Brasil. Ainda assim, fevereiro segue como um teste importante: em um mês de alta intensidade esportiva, compreender os próprios limites pode ser o fator decisivo entre estratégia e perda.
Sobre Ricardo Santos
Ricardo Santos é cientista de dados especialista em análise estatística para apostas esportivas em futebol e fundador da Fulltrader Sports, empresa líder na América Latina no desenvolvimento de softwares SaaS voltados ao público final de trade esportivo. Atua há 12 anos como trader profissional em probabilidades de futebol, com foco em análise preditiva e modelagem de cenários para apostas.








