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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Muito além do lazer: motos aquáticas são aliadas vitais na segurança das praias

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Com o verão e praias mais cheias, o uso de jets em operações de salvamento reduz o impacto dos acidentes aquáticos, que vitimam milhares de brasileiros todos os anos

Com o verão e o aumento do fluxo de pessoas nas praias, cresce também a atenção para a segurança no mar. A maior exposição a ambientes aquáticos, somada a mudanças rápidas nas condições da água, amplia o risco de acidentes, especialmente os afogamentos, que seguem como um desafio relevante no Brasil. Dados mais recentes e consolidados indicam que, em 2023, mais de 5 mil pessoas perderam a vida por afogamento no país, o que representa uma média de 16 mortes por dia. Embora a maior parte dos casos aconteça em água doce, praias, rios, lagoas e represas também concentram ocorrências, tornando o tema especialmente sensível durante os meses mais quentes do ano, quando a presença de banhistas é maior, sobretudo entre crianças e jovens.

Diante desse cenário, reforça-se a importância de investir em prevenção, estrutura de apoio nas praias e recursos capazes de responder rapidamente a emergências no mar, contribuindo para experiências mais seguras no litoral. Em situações de risco, o tempo de resposta é decisivo: um resgate ágil pode significar a diferença entre a vida e a morte, especialmente em áreas com correntes fortes, mar agitado ou grande concentração de pessoas.

É nesse contexto que a moto aquática se consolida como um dos equipamentos mais eficazes nas operações de salvamento. Sua mobilidade permite que equipes especializadas cheguem rapidamente a locais onde embarcações maiores não operam e onde o resgate a nado seria lento ou inviável. Segundo Rodrigo Bastos, consultor da Surf Resgate, empresa especializada em salvamento aquático, “a moto aquática transformou a dinâmica do resgate no mar. Ela permite chegar rápido, estabilizar a vítima e retirá-la de áreas perigosas com muito mais segurança. Em muitas situações, é o recurso que torna possível um socorro dentro do tempo necessário”.

Um exemplo recente e emblemático

A importância desse tipo de atuação ganhou visibilidade em Nazaré, Portugal, durante um resgate realizado em condições extremas no mar. Na ocasião, o surfista brasileiro Carlos Burle sofreu um acidente após ser atingido por uma grande onda e só pôde ser retirado da zona de impacto graças à resposta rápida de uma equipe equipada com motos aquáticas.

Entre os responsáveis pela operação estava Lucas “Chumbo” Chianca, brasileiro, natural de Saquarema (RJ) e atual campeão de Nazaré, reconhecido internacionalmente pela experiência em cenários de alto risco. “A moto aquática não é apenas um meio de deslocamento. Em situações críticas, ela é uma ferramenta de salvamento. É o que permite chegar rápido, dar apoio imediato e tirar alguém de uma área onde, muitas vezes, a pessoa não conseguiria sair sozinha”, comenta o surfista.

Embora o episódio tenha ocorrido em um contexto extremo, ele ilustra uma realidade comum também nas praias brasileiras: o mar muda rápido, e o resgate precisa ser ainda mais rápido. Por isso, a combinação entre equipamentos adequados, profissionais treinados e informação ao público é fundamental durante o verão. Sinalizações claras sobre correntes de retorno, comunicação eficiente entre guarda-vidas e frequentadores das praias, além de ações educativas, ajudam a reduzir riscos e ampliar a segurança.

Em um país com extensa faixa litorânea e milhões de pessoas que frequentam o mar todos os anos, a presença de motos aquáticas nas operações de salvamento amplia a capacidade de resposta das equipes e aumenta significativamente as chances de resgates bem-sucedidos. Mais do que um item associado ao lazer, esse equipamento se consolida como um aliado essencial na proteção de vidas durante o verão.

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