sarcopenia, caracterizada pela diminuição progressiva da massa e da força muscular, é uma condição associada ao envelhecimento, mas que pode ser acelerada por fatores como sedentarismo, alimentação inadequada, doenças e, mais recentemente, pelo uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento rápido, como as chamadas canetas emagrecedoras.
O impacto vai muito além da estética: a perda de músculo está diretamente ligada à redução da mobilidade, do equilíbrio, da autonomia e da qualidade de vida. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, cerca de 15% dos brasileiros apresentam sarcopenia a partir dos 60 anos, índice que pode chegar a 46% após os 80. No entanto, o processo de perda muscular pode começar bem antes. Em pessoas saudáveis, a redução da massa magra tende a iniciar após os 30 anos, com perdas anuais de 1% a 2%, se não houver medidas preventivas.
A fisioterapeuta e proprietária de um espaço de saúde em Paulínia, Keli Firmino, chama a atenção para um fator atual que tem preocupado profissionais da área da saúde: o uso das chamadas canetas emagrecedoras sem acompanhamento adequado.
“Esses medicamentos reduzem o apetite e podem levar a uma perda de peso rápida. O problema é que, sem estímulo muscular e ingestão adequada de proteínas, o corpo não perde só gordura, perde músculo também. Isso aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da sarcopenia e pode comprometer a saúde de forma silenciosa”, alerta a especialista.
A profissional destaca que emagrecer sem preservar a massa muscular pode trazer consequências funcionais importantes, pois o músculo dá sustentação ao corpo. E quando
a massa muscular diminui, as pessoas perdem força, equilíbrio e segurança para se locomover, o que interfere diretamente na autonomia, aumenta o risco de quedas e faz com que atividades simples do dia a dia, como subir escadas ou levantar da cadeira, se tornem difíceis.
Diagnóstico, prevenção e cuidados
A sarcopenia costuma evoluir de forma gradual e, muitas vezes, só é percebida em fases mais avançadas. Entre os principais sinais de alerta estão o cansaço excessivo, dificuldade para realizar atividades antes consideradas simples, instabilidade ao caminhar e quedas frequentes. O diagnóstico deve ser feito por um médico, como clínico geral, com apoio de exames específicos.
A prevenção passa, obrigatoriamente, por dois pilares: alimentação adequada e exercício físico. O Ministério da Saúde recomenda, como base, a ingestão diária de 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal, podendo chegar a até 1,2 g por quilo ao dia em pessoas idosas saudáveis, desde que haja acompanhamento profissional.
E a prática regular de exercícios de resistência — como musculação ou exercícios utilizando o peso do próprio corpo (calistenia) — é essencial para estimular e preservar a massa muscular.
Já para quem utiliza ou pretende utilizar medicamentos para emagrecimento, como as canetas emagrecedoras, o cuidado deve ser ainda maior. A orientação é manter atividade física orientada e garantir uma dieta rica em proteínas, se possível com acompanhamento médico, nutricional e fisioterapêutico, conforme explica Keli Firmino.
“O objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança, mas preservar força e funcionalidade. Portanto, a prática de exercícios de resistência deve ocorrer com frequência e sem interrupções, porque não diz apenas sobre estética, mas sobre um corpo funcional e saudável em qualquer fase da vida, e que nos garanta independência na melhor idade”, esclarece a fisioterapeuta.








