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terça-feira, março 17, 2026

Defasagem no preço do diesel acende alerta para risco de adulteração e exige atenção do consumidor

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A recente defasagem no preço do diesel no Brasil em relação ao mercado internacional acendeu um alerta no setor de combustíveis. Para especialistas, cenários de distorção de preços podem aumentar o risco de adulteração ao longo da cadeia de distribuição, afetando consumidores, transportadores e gestores de frota.

De acordo com Thiago Castilha, diretor da Lepam e diretor de comunicação e relações institucionais do Sindilub, a adulteração do diesel normalmente envolve a mistura de substâncias mais baratas para ampliar margens de lucro de forma ilegal. “Entre os principais adulterantes estão solventes, frações leves de petróleo e óleos residuais. Em alguns casos também ocorre o uso de biodiesel fora das especificações ou em proporções diferentes das permitidas. Essas alterações comprometem propriedades fundamentais do combustível, como estabilidade, segurança e desempenho”, explica.

Segundo ele, não existe uma única forma de adulterar diesel, mas o objetivo econômico é sempre o mesmo: reduzir custos de forma fraudulenta.

Impactos no funcionamento dos veículos

A adulteração pode comprometer parâmetros técnicos importantes do combustível, como ponto de fulgor, viscosidade, número de cetano, presença de água e estabilidade química. Na prática, isso pode afetar diretamente o funcionamento do motor. “Quando o diesel está fora das especificações, a combustão tende a ser menos eficiente. Isso pode aumentar o consumo, gerar falhas em filtros e sistemas de injeção e até reduzir a vida útil do motor”, afirma Castilha.

As irregularidades costumam ocorrer em etapas da cadeia logística em que o combustível é manuseado ou transferido, como durante o transporte, armazenamento e abastecimento. 

Sinais de alerta para consumidores e frotistas

Embora a confirmação de adulteração dependa de análises laboratoriais, alguns sinais podem indicar que há algo errado com o combustível. Entre os principais indícios estão alterações na aparência do diesel, presença de água ou turbidez, falhas frequentes em filtros e injetores, aumento inesperado no consumo do veículo e preços significativamente abaixo da média de mercado. “Testes de campo podem levantar suspeitas, mas a confirmação depende de análises técnicas que avaliam parâmetros como curva de destilação, viscosidade, número de cetano e estabilidade do combustível”, explica o especialista.

Impacto econômico e importância da rastreabilidade

Além de causar danos mecânicos, a adulteração de combustíveis gera impactos econômicos mais amplos. A prática está frequentemente associada à sonegação fiscal, concorrência desleal e perda de arrecadação pública, afetando toda a cadeia formal do setor.

Para o executivo, o combate à adulteração passa pelo fortalecimento de mecanismos de controle ao longo de toda a cadeia logística. Entre as medidas mais eficazes estão sistemas de rastreabilidade por lote, boletins de conformidade, monitoramento de água em tanques, registros documentais e auditorias periódicas de fornecedores e transportadores. “Tecnologias como sensores de água, monitoramento remoto e sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a reduzir o espaço para fraudes e aumentam a transparência no abastecimento”, afirma Castilha.

Momentos de grande diferença entre preços domésticos e internacionais tendem a ampliar a vigilância sobre a qualidade dos combustíveis. “Nesses períodos, é fundamental que consumidores e empresas priorizem fornecedores confiáveis, mantenham registros de abastecimento e fiquem atentos a qualquer alteração no desempenho dos veículos”, conclui.

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