Estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) mostrou que combinar musculação com exercício aeróbico não prejudica o ganho de massa muscular – contrariando a crença corrente no meio fitness. Contudo, no experimento, o treino combinado promoveu um ganho de força levemente menor do que a musculação praticada isoladamente.
Os participantes da pesquisa tinham em média 28 anos e foram acompanhados ao longo de 16 semanas. Os resultados foram divulgados no Journal of Applied Physiology.
“Existia a ideia de que combinar musculação com exercícios aeróbicos poderia comprometer o ganho de massa muscular, pois o esforço provocado pelo cárdio interferiria na síntese proteica relacionada à hipertrofia. Mas não é isso que acontece. O estudo mostrou que o aumento muscular foi equivalente nos dois grupos de participantes”, conta Carlos Ugrinowitsch, professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP) e coautor do artigo.
Anteriormente, explica o pesquisador, se acreditava que o treino aeróbico competia com a musculação porque estimulava a produção de proteínas voltadas a aumentar a produção de mitocôndrias (biogênese mitocondrial), reduzindo a síntese necessária para o crescimento muscular. Esse fenômeno, chamado de “efeito de interferência”, baseava-se na ideia de que o metabolismo aeróbico teria prioridade por ser vital para a geração de energia e sobrevivência. Consequentemente, pensava-se que combinar força e cárdio em uma mesma rotina traria menos hipertrofia do que praticar cada modalidade separadamente.
“E por que fomos investigar o treino concorrente? Porque a combinação de treino aeróbico e treino de força é a base para uma boa saúde”, afirma Ugrinowitsch. A importância do treinamento aeróbico, não por acaso também chamado de cárdio, está em aumentar a frequência cardíaca e a oxigenação no sangue e assim contribuir para a queima de calorias e fortalecimento do coração.








