Uso de rebite preocupa nas estradas e acende alerta para a segurança no transporte de cargas

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Pesquisa aponta que quase três em cada dez caminhoneiros recorrem a substâncias para permanecer acordados durante as viagens

O consumo de rebite e de outros estimulantes por caminhoneiros voltou a chamar a atenção para um problema persistente nas rodovias brasileiras. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Transportes Autônomos (CNTA), quase 28% dos motoristas admitem utilizar algum tipo de substância para evitar o sono durante o trabalho. Entre eles, 35% afirmam recorrer à anfetamina, popularmente conhecida como rebite.

A prática representa uma ameaça para o próprio condutor, para os demais usuários das vias e para toda a cadeia logística. Embora seja utilizada para prolongar a permanência ao volante, especialistas alertam que a substância mascara os sinais de fadiga, reduz a percepção do esgotamento físico e pode comprometer reflexos, concentração e capacidade de resposta diante de situações de emergência.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, o tema exige atenção permanente das autoridades e uma reflexão mais ampla sobre a segurança nas estradas.

“O rebite é um sintoma de um problema que deve ser enfrentado com seriedade. Quando um caminhoneiro sente que precisa desafiar os limites do próprio corpo para cumprir uma viagem, é sinal de que algo não está funcionando adequadamente, seja nas condições de trabalho, na organização da atividade ou na própria gestão da rotina profissional. Segurança viária não se faz à base de anfetamina, mas com respeito aos períodos de descanso, responsabilidade e condições adequadas para que o motorista exerça sua atividade com segurança”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho.

A preocupação ganha força diante de ocorrências recentes. Em Goiás, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 45 mil comprimidos da droga, evidenciando a dimensão nacional da questão. No ano passado, o consumo de entorpecentes esteve relacionado a 62 acidentes registrados nas rodovias brasileiras, que resultaram em três mortes.

Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, o enfrentamento do problema passa por conscientização, responsabilidade individual e valorização das boas práticas no transporte rodoviário.

“É claro que as empresas têm responsabilidade e devem respeitar rigorosamente os limites da jornada e dos períodos de descanso. Mas, no transporte de veículos, especialmente nas operações mais estruturadas, já existem controles que ajudam a evitar excessos. Precisamos entender que muitos casos estão ligados a decisões individuais e à busca por um rendimento maior a qualquer custo. O uso de rebite não pode ser visto como uma realidade generalizada do setor. Segurança nas estradas depende de planejamento, responsabilidade e respeito aos limites do próprio corpo”, destaca.

A entidade defende a ampliação das áreas de parada e repouso para caminhoneiros, o fortalecimento de campanhas educativas sobre os riscos associados aos estimulantes e a fiscalização do cumprimento das normas relacionadas à jornada e aos intervalos obrigatórios de descanso.

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