Quando submetido por muito tempo a uma dieta rica em proteínas e totalmente isenta de carboidratos, o organismo altera o “comando molecular” do fígado para manter o fornecimento adequado de energia, até mesmo durante o jejum. Por meio de experimentos com roedores, pesquisadores da da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) detalharam como essa adaptação metabólica funciona. Os resultados, divulgados em outubro no American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism, fornecem indícios de como esses processos podem ocorrer, também, no organismo humano.
O trabalho é um desdobramento de uma linha de investigação iniciada na década de 1970 pelo endocrinologista Renato Helios Migliorini, da FMRP-USP. Naquela época, os pesquisadores observaram que urubus (aves carnívoras que consomem praticamente só proteína) conseguiam manter níveis normais de glicose no sangue mesmo após longos períodos de jejum.
E então surgiu a pergunta: como esses animais mantinham a glicemia estável sem ingerir carboidratos? A constatação desafiava um princípio clássico da fisiologia, segundo o qual a principal fonte de glicose é o carboidrato ingerido na alimentação. Se esses animais não tinham acesso regular a esse nutriente, seria necessário que o próprio organismo fabricasse o açúcar circulante e em quantidade suficiente para sustentar funções vitais, como a atividade cerebral.








