5 ciladas financeiras cometidas por empreendedores no varejo

spot_img
spot_img

Especialista da F360 lista os principais equívocos na gestão financeira e explica como proteger o caixa das empresas do setor

A sobrevivência e o crescimento de um negócio varejista dependem de uma gestão financeira eficiente. Em um cenário de juros ainda elevados, crédito mais caro e inadimplência empresarial em níveis recordes, controlar o caixa deixou de ser apenas uma atividade operacional e passou a ser uma questão estratégica para os empreendedores.

Segundo a Serasa Experian, o Brasil tinha 9 milhões de empresas inadimplentes em maio de 2026, que acumulavam R$ 229,9 bilhões em dívidas. Em média, cada CNPJ negativado possuía quase sete dívidas em atraso, com dívida média de R$ 25,5 mil. Entre as micro e pequenas empresas, eram 8,6 milhões de negócios inadimplentes.

O desafio também aparece quando se observa a capacidade de sobrevivência dos negócios. Dados do IBGE mostram que, entre as empresas empregadoras nascidas em 2017, apenas 35,9% das empresas com 1 a 9 empregados sobreviveram cinco anos, evidenciando a dificuldade de manter uma operação saudável no longo prazo.

Nesse contexto, pequenas falhas na gestão podem ganhar proporções maiores e comprometer margem, capital de giro e capacidade de investimento. Para o varejista, ter visibilidade sobre receitas, despesas, recebíveis e fluxo de caixa é fundamental para tomar decisões antes que um problema financeiro se transforme em uma crise.

No varejo, vender mais não significa necessariamente ganhar mais dinheiro. É preciso entender o quanto realmente sobra depois de considerar custos, taxas, despesas e o prazo para receber cada venda. Quando o empresário não tem essa visão, pequenas ineficiências podem consumir a margem e comprometer o caixa sem que o problema seja percebido de imediato”, afirma Maurício Galhardo, sócio da F360, plataforma líder em gestão financeira para franquias e varejo.

Para auxiliar os lojistas a navegar neste ambiente desafiador, Galhardo aponta cinco ciladas financeiras comuns e revela como evitá-las. Confira:

1. Misturar as finanças pessoais com as contas da empresa

Essa é uma das armadilhas mais comuns e perigosas. Quando o dinheiro do caixa é usado para pagar uma despesa pessoal ou o lucro da empresa se confunde com o salário do dono, perde-se a visibilidade sobre a real lucratividade do negócio.

“O dono da loja paga uma despesa pessoal diretamente pela conta da empresa e, no fim do mês, o resultado financeiro deixa de refletir a performance real da operação. Sem separar pró-labore, retiradas e despesas do negócio, o empreendedor pode acreditar que a empresa está dando mais lucro – ou mais prejuízo – do que realmente está”, explica o sócio da F360.

2. Gerenciar com base na intuição, sem registros formais

Muitos varejistas experientes confiam no “feeling” para tomar decisões. Embora a experiência seja valiosa, a falta de dados estruturados para comprovar a intuição pode levar a erros estratégicos caros.

É preciso transformar dados financeiros em informação para a tomada de decisão. Ao integrar vendas, despesas, recebíveis e fluxo de caixa, o gestor consegue identificar quais produtos e operações são mais rentáveis, acompanhar desvios e projetar cenários com muito mais segurança”, analisa Galhardo.

3. Centralizar todas as decisões financeiras no dono

O empreendedor que concentra todas as tarefas financeiras, do pagamento de contas à conciliação de cartões, gasta um tempo precioso que deveria ser dedicado à estratégia do negócio, como buscar novos fornecedores, treinar a equipe e pensar na expansão.

A centralização excessiva cria um gargalo. Em uma operação com várias unidades, por exemplo, conferir manualmente vendas, taxas, repasses e extratos pode consumir horas do empreendedor e ainda aumentar o risco de erros. Automatizar processos permite que o gestor deixe de atuar apenas na operação e passe a dedicar mais tempo à análise dos resultados e ao crescimento”, explica o especialista.

4. Não definir responsabilidades entre a equipe interna e terceirizada

É comum que o varejista acredite que a responsabilidade pela saúde financeira do negócio é exclusiva do contador. A falta de um escopo claro sobre as entregas e responsabilidades de cada parte gera ruídos e deixa lacunas na gestão.

O contador é um parceiro importante, mas o empresário precisa acompanhar a saúde financeira do próprio negócio. É necessário saber diariamente quanto há disponível em caixa, quanto a empresa tem a receber, quais compromissos estão previstos e como está a rentabilidade da operação. Quando essas informações ficam dispersas, os problemas aparecem quando já é mais difícil agir”, analisa Galhardo.

5. Resistir à adoção de tecnologia na gestão

Ainda hoje, muitos negócios gerenciam suas finanças em cadernos ou planilhas complexas e, portanto, suscetíveis a erros. Essa resistência à digitalização gera ineficiência, insegurança e impede uma visão estratégica do negócio.

A digitalização também permite reduzir o trabalho manual e identificar inconsistências que poderiam passar despercebidas. “Uma operação que depende de planilhas para controlar caixa, vendas e recebíveis está mais exposta a erros de preenchimento e a informações desatualizadas. A tecnologia permite centralizar os dados, automatizar rotinas e dar ao gestor uma visão mais rápida e confiável do negócio”, conclui o sócio da F360.

spot_img

Em alta

spot_img
spot_img

Notícias relacionadas