Treinados desde filhotes, animais reforçam a segurança nos presídios e atuam em operações contra o crime organizado em SP
Localizar aparelhos em uma parede falsa, dentro de um colchão ou escondidos faz parte da rotina de nove cães farejadores da Polícia Penal de São Paulo. Especializados na detecção de eletrônicos, os animais atuam tanto em buscas dentro dos presídios quanto em operações policiais fora das unidades prisionais.
Oito deles entraram em campo na Operação Frankmobile, que desarticulou uma cadeia de roubo, furto e receptação de celulares na região central da capital paulista. A ação do Governo de São Paulo mobilizou 1,7 mil policiais e resultou na apreensão de mais de 50 toneladas de aparelhos e peças eletrônicas.
Durante as buscas, os cães vasculharam depósitos e comércios irregulares em busca de aparelhos escondidos. Parte deles estava embalada individualmente em papel-alumínio e era guardada dentro de caixas de isopor para driblar os sistemas de localização dos celulares.
A detecção de eletrônicos, no entanto, é apenas uma das especialidades. A Polícia Penal tem ainda animais para localizar entorpecentes e armas, além de cães de intervenção, que atuam em presídios.
A formação dos recrutas começa por volta dos 45 dias de vida, quando chegam ao canil da Polícia Penal. Os animais podem vir de criadores especializados ou nascer em um dos canis da polícia. A seleção leva em conta características genéticas dos pais e o comportamento dos filhotes.
Desde o início, os animais são estimulados a procurar objetos de forma lúdica, como em uma brincadeira de esconde-esconde. “O cão pensa que está em uma brincadeira porque oferecemos brinquedos como recompensa sempre quando ele responde a um estímulo que esperamos”, explica Marcos Vinícius de Moraes Hondo, Cinotécnico da Polícia Penal de São Paulo.
Os cães passam por etapas de socialização e ambientação. Eles precisam se adaptar a diferentes situações, como locais escuros, superfícies escorregadias, espaços reduzidos e circulação de pessoas.
Os filhotes são apresentados a diferentes odores, entre eles os compostos presentes na fabricação de aparelhos eletrônicos, o que permite reconhecer celulares escondidos, mesmo que desmontados.
A Policial Pena utiliza as raças pastor-belga-malinois, pastor alemão e pastor holandês, comuns nos canis do Exército americano e israelense.
Com a ajuda dos animais, as equipes conseguem localizar objetos escondidos com mais rapidez, o que facilita a busca em presídios e operações em campo. “A capacidade olfativa do cachorro é muito superior à humana. Com o auxílio dos animais, é possível identificar odores através de paredes falsas e objetos ocultos, o que agiliza o trabalho de busca da equipe”, explica Hondo.
O treinamento de cães para localização de equipamentos eletrônicos começou em São Paulo em 2010, quando a Secretaria da Administração Penitenciária treinou o cão Fuzil para esse tipo de busca. Na primeira operação em que participou, no Anexo de Progressão Penitenciária de Ribeirão Preto, o animal encontrou 13 aparelhos celulares escondidos.
O profissional que acompanha o cão também tem um papel importante. Ele precisa interpretar e conduzir o animal, e a conexão entre os dois é crucial para que ele fique confortável durante as buscas. O vínculo começa ainda no treinamento e se fortalece ao longo da vida profissional.
A carreira como cão farejador dura, em média, de seis a dez anos. Quando um animal se aproxima da aposentadoria, a Polícia Penal inicia, com cerca de três anos de antecedência, a preparação para substituí-lo por outro cão. O condutor tem preferência para a adoção. “É uma relação de muita confiança. O profissional acompanha todo o processo de treinamento e desenvolve uma conexão muito próxima com o cão”, conclui Hondo.








