Tampinha Legal completa 10 anos com trajetória marcada por ciência e mobilização social

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Criado em 2016, programa ultrapassou 1,1 bilhão de tampas plásticas arrecadadas e levou resultados científicos a encontros na Espanha e no Japão.

O Tampinha Legal completa dez anos em outubro de 2026 com mais de 1,1 bilhão de tampas plásticas arrecadadas e atuação em dez estados brasileiros. Criado pelo Instituto SustenPlást, o programa chega a uma década com 2.426 pontos de coleta, 519 entidades participantes e R$5,37 milhões em recursos financeiros destinados.

A iniciativa começou em 2016 com uma proposta simples: mobilizar a sociedade para separar tampas plásticas e encaminhá-las à reciclagem. Desde então, mais de 2 mil toneladas foram arrecadadas, com a participação de escolas, empresas, condomínios, estabelecimentos comerciais, órgãos públicos e comunidades. “Quando começamos, queríamos mostrar que uma atitude simples poderia mobilizar muitas pessoas. Dez anos depois, temos uma rede espalhada pelo país e conseguimos acompanhar o caminho desse material até seu retorno à indústria. A tampinha tornou a economia circular algo próximo do cotidiano e mostrou que resíduos são recursos”, afirma Simara Souza, gerente do Instituto SustenPlást e uma das idealizadoras do Tampinha Legal.

Um dos marcos da trajetória veio da ciência. Em 2023, foi publicado na revista científica Recycling um estudo desenvolvido com participação da USP, Instituto SustenPlást e Instituto SENAI de Inovação em Engenharia de Polímeros. A pesquisa avaliou a substituição do polipropileno virgem por material reciclado proveniente de tampas plásticas em uma aplicação para o setor de telefonia e mediu seus benefícios ambientais.

Os resultados ganharam espaço também fora do Brasil. Em outubro de 2023, Simara Souza e Alfredo Schmitt apresentaram o Tampinha Legal e a pesquisa no World Recycling Convention, em Madri, na Espanha. Em maio de 2025, a ACV chegou ao 11º World Congress on Advanced Materials (WCAM), em Kobe, no Japão, onde Simara apresentou o trabalho para um público formado por pesquisadores e profissionais de diferentes países. “A pesquisa permitiu comprovar cientificamente resultados que acompanhávamos na prática. Uma tampinha arrecadada no Brasil passou a gerar conhecimento discutido também em outros países. É uma trajetória que começou com mobilização e educação socioambiental e chegou à produção científica”, destaca Simara.

Em 2026, o Tampinha Legal iniciou a formação de sua rede de Embaixadores, com representantes de diferentes estados, e apresentou uma nova plataforma com aplicação de inteligência artificial. As iniciativas abrem a próxima década do programa com foco na ampliação da educação socioambiental e da mobilização. “Os dez anos trouxeram muitos aprendizados e mostraram o quanto atitudes simples ganham força quando adotadas coletivamente. Entramos na próxima década querendo levar esse conhecimento a mais pessoas e ampliar uma mobilização que começou com algo tão pequeno quanto uma tampa plástica”, completa Simara.

O Tampinha Legal

O Tampinha Legal é uma realização do Instituto SustenPlást, com patrocínio do Movimento Plástico Transforma. Por meio de ações de educação socioambiental voltadas à mudança de comportamento, o programa amplia o conhecimento da população sobre o plástico e demonstra, na prática, como a economia circular pode gerar benefícios ambientais e sociais.

A iniciativa convida toda a sociedade a arrecadar tampas plásticas e destiná-las às entidades assistenciais cadastradas no programa, que busca a melhor valorização de mercado para o material. Os recursos obtidos com a comercialização são destinados integralmente às instituições participantes, sem rateios, comissões ou qualquer tipo de retenção financeira. Em 2026, o Tampinha Legal completa dez anos de atuação. Nesse período, já promoveu a destinação correta de mais de 2 mil toneladas de tampas plásticas, evitando a emissão de mais de 3.460 toneladas de gases de efeito estufa e destinando mais de R$5 milhões para centenas de instituições assistenciais. Os recursos contribuem para a manutenção de projetos sociais, aquisição de equipamentos e melhoria dos serviços prestados à população em situação de vulnerabilidade.

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