Vamos fazer um exercício?
Imaginar um novo cenário da epidemia que virou pandemia…alterando algumas variáveis críticas.
A primeira seria a resistência do vírus no ar, por um longo tempo, somente o fato de aspirarmos nos levaria a contaminação instantânea…necessitaríamos de respiradores artificiais para nos manter vivos.
A taxa de letalidade da contaminação seria de 96%, ou seja, de cada 100 pessoas contaminadas 96 morreriam.
Não poderíamos ter nenhum tipo de contato com outras pessoas pois a transmissão é quase automática em distância menores que 5 metros.
A contaminação maior seria nas crianças com menos de 10 anos, elas estariam no grupo central de risco.
A pandemia iniciou-se na América do Sul, portanto, temos poucos dados disponíveis sobre a origem da doença e nenhuma pesquisa que permita ter um horizonte de vacina ou tratamento.
Não temos nenhum sistema avançado de medicina e saúde no País, os países mais avançados ao norte ainda não foram atingidos e não estão preocupados com o desenvolvimento.
Temos que ficar isolados por tempo indeterminado, não podemos ficar ao ar livre e para conseguir alimentos dependemos de entregas governamentais.
Precisamos ficar acampados em locais definidos pelo governo, dado o alto grau de contaminação das nossas residências, as dietas são controladas e todos os dias somos submetidos a fazer exames para definir o grau de contaminação.
A comunicação está afetada, por falta de operadores, a rede mundial está oscilando e dedicada exclusivamente para assuntos de saúde e utilidade pública.
Dada a alta taxa de letalidade, estabeleceu-se grande defasagem de profissionais da saúde, os tratamentos médicos estão limitados e inacessíveis.
Dada a gravidade da situação, os países mais desenvolvidos colocaram barreiras na relação com o nosso país, começamos a sentir falta de equipamentos eletroeletrônicos, insumos e princípios ativos para medicamentos.
Cenário assustador, todavia, felizmente, bastante distante do atual. O nosso sacrifício não é desprezível, mas não perfeitamente factível. Rever alguns comportamentos, praticar higiene com maior acuidade e valorizar os relacionamentos, priorizando o afeto e não o contato físico.
Momento de refletir, repensar valores (priorizar o SER e não o TER) e entender a dicotomia que nos possibilita sermos seres únicos e importantes, quando somos cientes das nossas limitações e dependência espiritual.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Coordenador Universitário de curso de administração.








