Em tempos de grande apreensão, tensão e indecisão, somos bombardeados a todo momento, envolvendo um conjunto de informações, infelizmente a importância da maioria delas tende a zero.
É importante destacar que a informação deriva de uma intencionalidade de modificar a expectativa de quem está recebendo, ou seja, pretende-se “dar forma” a um conjunto de dados.
Neste conjunto de disseminadores de informações duvidosas é razoável acreditar que a grande maioria distorce os fatos sem a real dimensão dos efeitos negativos, são os papagaios da vez, os quais transmitem nas suas redes informações sem a devida reflexão. Importante destacar que informação sem reflexão não gera conhecimento.
Também, é importante retratar a existência de grupos estruturados que utilizam a informação e enviesam maldosamente para que elas se alinhem ao seu discurso ou visão de mundo, o fato se agrava num mundo de fácil disseminação de informação e pouca atenção a origem da notícia.
Na gestão do conhecimento, um dos pressupostos básicos é que muita informação gera pouco conhecimento, dado que implica na diminuição limitada de racionalidade do indivíduo, em outras palavras, pouco atenção para se aprofundar em temas relevantes.
Na academia, um dos elementos que merecem mais rigor são as conexões entre a informação apresentada e a origem dela, as quais devem estar devidamente formuladas e estruturadas nas referências bibliográficas, a credibilidade do autor faz a diferença.
Dois exemplos, nos últimos dias representam bem essa problemática: a ideia de verticalização do isolamento na pandemia do Coronavírus e pacote de ajuda financeira que o governo federal irá disponibilizar as pessoas necessitadas.
No primeiro caso, mesmo pessoas bem intencionadas defenderam um modelo de isolamento com pouca base de conhecimento sobre a relação custo e benefício da medida, referenciando em países que não praticaram aquele modelo como referência. Ao mesmo tempo, e com um conjunto limitado de informações fidedignas questionaram as decisões em andamento, sem dimensionar a gravidade real da situação.
No segundo caso, assim que algumas pessoas tomaram ciência dos valores aprovados na Câmara de Deputados “voucher coronavírus” iniciaram um processo de obtenção da paternidade, antes mesmo de completar os processos de aprovação no Senado e concordância presidencial. Ocorreu um processo acelerado de deformação, para que o fato se adequasse a vontade própria do emissor.
Mas, não somos inocentes…e sabemos que a realidade não vai mudar repentinamente, o que podemos fazer para sair de arcabouço de distorção da realidade?
Segue um roteiro simples: 1. selecione fontes sérias (muitas vezes não são agradáveis),2. baseia-se em fatos, não suposições (busque evidências); 3. Aprofunde-se o quanto possível (tente chegar aos 5 por quês); e sobretudo; 4. Capacite-se intelectualmente e espiritualmente (seja uma pessoa melhor).
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Coordenador Universitário de curso de administração.








