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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

A crise da educação. Cenário e desafios.

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A pandemia alterou diversos aspectos na sociedade, efeitos econômicos, sociais, sanitários e abordaremos neste artigo, o segmento educacional.

Considerando a educação como processo derivado de interação para transmissão e incorporação de saberes, a pandemia desorganizou pelo lado da oferta, a estrutura dos conteúdos e os processos de interação e transmissão e pelo lado da demanda, desestruturou os comportamentos, cultura e a arquitetura de aprendizagem das crianças.

O Brasil, infelizmente, mesmo antes da pandemia, notabilizou-se sobretudo nas últimas décadas por resultados desanimadores no que tange a educação básica, por exemplo, na avaliação desenvolvido pela OCDE- Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com provas de leitura, matemática e ciência, além de educação financeira.

Com a pandemia, a escola pública foi desafiada a organizar os seus programas no contexto emergencial, com os professores com pouca familiaridade com os meios tecnológicos a serem utilizados e com pouca identidade para converter os conteúdos no formato digital. Além disso, a dificuldade de estabelecerem novos processos. Em suma: o processo, foi como “trocar o pneu do carro em movimento”.

Do outro lado famílias, cenário com as crianças com insegurança relativas ao futuro, profunda insegurança financeira dos pais e com cenários tecnológicos totalmente díspares. Além disso, os próprios problemas de infraestrutura no país, que evidenciou a urgência de mudança de geração tecnológica no país, a quinta geração.

Na média, decorreram inúmeras perdas, as quais precisam ser reparadas no horizonte da saída da crise, a qual se aproxima de cenários pós guerra. Alguns elementos necessariamente, devem permear a discussão da retomada das escolas: a recuperação dos conteúdos, o acolhimento dos alunos, professores e estrutura administrativa e a busca ativa dos alunos, evitando sob todos os aspectos a evasão escolar. Um papel mais ativo da assistência social.

As efetividades das ações não serão resultantes de eventos espontâneos, seguramente de gestão, precisam ser organizados e direcionados. Quando o olhar se dirigir para as escolas privadas, prevalecerá a natureza estrutural com programas baseados em metodologias específicas e pouca heterogeneidade dos requisitos mínimos tecnológicos, somados aos alunos com maior autonomia, os desvios serão mitigados com maior facilidade.

A discussão permite destacar algumas das características do conhecimento, como objeto almejado. O conhecimento não segue a lógica dos rendimentos decrescentes, a medida que é mobilizado e disponibilizado como recurso, o ativo original aumenta e nunca diminui, ao contrário dos bens físicos. Outra característica é que ele aumenta com base em conexões, para exemplificar, quanto mais conhecimento a pessoa possui enquanto estoque, maior a capacidade de obter novos fluxos de conhecimentos e maior autonomia para o aprendizado.

Outros pontos na discussão passam pela disciplina de aprendizado dos alunos, a qualidade dos professores, ambientes adequados e a como pano de fundo, a desigualdade educacional que aumenta com velocidade, pelos motivos tratados e característicos do novo cenário. O novo normal, envolve sistemas híbridos de educação, presencial e distância e acentuará a condição de autonomia dos alunos da mobilização de conteúdos disponíveis em diversas mídias, o receio é a velocidade e condição do sistema público se integrar para a nova realidade.

 

 

 

 

 

 

 

Devanildo Damião

Doutor e pesquisador em gestão tecnológica, coordenador técnico do Conselho de desenvolvimento de Guarulhos e Coordenador de cursos de graduação e pós-graduação na FIG UNIMESP.

 

 

 

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