Apesar do Brasil ainda estar localizado entre as 10 principais economias do mundo, apresenta fatores preocupantes em relação ao baixo crescimento quando analisamos um histórico dos últimos 10 anos, entre os anos de 2010 e 2019, o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no País, cresceu a um ritmo de 1,39% ao ano.
Esse crescimento econômico é insuficiente para absorção no mercado de trabalho e sobretudo, das camadas populacionais geradas pelo crescimento da população e na necessidade de ofertar seguridade social. Além disso, dívidas históricas em relação a inclusão social e mesmo infraestrutura básica, na qual pessoas convivem sem condições básicas de saneamento, além do precário sistema de saúde, ressalvando a importância do SUS – Sistema único de Saúde.
Os fatores adversos são diversos e estruturantes, outra discussão envolve a competitividade dos segmentos econômicos enquanto geradores de riqueza, emergindo necessariamente a baixa produtividade do trabalhador brasileiro quando comparado com outros países. Alguns estudos que a produtividade de um trabalhador brasileiros é de 25% de um trabalhado americano e 20% do trabalhador da Coréia do Sul.
Essa diferença é diretamente relacionada a qualificação do trabalhador, pessoas mais qualificadas conseguem ser mais produtivas pela aplicação do conhecimento que implica em soluções mais rápidas e mais positivas. Para ser mais bem qualificadas as pessoas necessitam aumentar as curvas de aprendizagem, as quais essencialmente envolvem mensuração do tempo de aprendizagem para uma determinada atividade ou ferramenta.
Os estímulos cognitivos são acelerados pelo conhecimento e estabelecimento de relações, por exemplo, o mestre de obra conseguirá fazer melhores previsões do material necessário para construção do muro, caso tenha noções de geometria, de operações matemáticas e seguramente com o conhecimento empírico (pelo fazer) conseguirá maior produtividade, dado que conseguirá produzir mais com o mesmo recurso.
Assim, o papel da academia enquanto instrumento de demanda e articulação das necessidades dos segmentos produtivos com o estabelecimento de oferta de recursos humanos qualificados é fundamental nos próximos anos. A responsabilidade passa pelo reconhecimento e valorização da qualidade dos cursos técnicos e de nível superiores em contraponto com a mercantilização do segmento, o qual se notabilizou por não priorizar a preocupação com o resultado do processo (pessoas qualificadas), mas, com os ganhos financeiros dos alunos pagantes.
O Brasil somente vai conseguir evoluir de maneira sistemática e estrutural com a melhoria da qualidade do povo, tornando a economia mais produtiva e criando um círculo virtuoso de pessoas mais qualificadas, maior produtividade do segmento econômico, melhores salários, condições de vida favoráveis, aumento de arrecadação e distribuição de renda e investimentos em infraestrutura para os mais vulneráveis.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em gestão tecnológica
Pesquisador da Universidade de São Paulo
Coordenador Universitário de curso de administração.








