
O estudo histórico demonstra que as regiões mais desenvolvidas são privilegiadas logisticamente, grandes guerras foram travadas buscando acesso melhores ao mar. Felizmente, o Município de Guarulhos possui posicionamento privilegiado no Brasil, conurbado a maior cidade do país, próximo a dois outros grandes centros econômicos: Rio de Janeiro e Minas Gerais e, possuindo o maior equipamento logístico da América do Sul: o Aeroporto internacional de Guarulhos.
Analisando a natureza da indústria farmacêutica, observa-se a sensibilidade a logística, dada a característica e composição química dos medicamentos, as quais são passíveis de mudanças pelas circunstâncias ambientas e temporais.
Não menos importante são os fatores relacionados ao encadeamento da estrutura de desenvolvimento dos produtos. As pesquisas científicas que determina os princípios ativos dos medicamentos são desenvolvidas em países na fronteira do conhecimento, encaminhando-se a manipulação de maior complexidade destes ativos para países com grande oferta de mão de obra e, posteriormente as etapas finais de envasamento e logística em locais próximos ao consumo.
Ao analisar o contexto econômico e geopolítico constata-se que existem perigos na extrema concentração da oferta como ocorre atualmente em relação ao COVID 19. Em algumas especialidades, entre 80 e 90% de todos os IFAs (Insumos Farmacêuticos Ativos) utilizados na fabricação dos antibióticos têm origem chinesa e ficamos dependente de variáveis externas e a necessidade de absorção como ocorre na cadeia produtiva do petróleo e a dependência com o oriente médio.
O transporte por via aérea é uma realidade destes produtos, e explica a concentração de grandes empresas deste segmento em Guarulhos e a lógica dos iluminados agentes públicos na ocasião da construção da FURP, em períodos coincidentes ao Aeroporto Internacional.
Em detalhes, coube ao estado de São Paulo a instituição em 1968 por meio da Lei Estadual 10.071, a da Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” – FURP, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com a incumbência de desenvolvimento, produção, distribuição e dispensação de produtos.
Especificamente, a Inauguração do Parque Industrial de Guarulhos ocorreu em março de 1984, em uma área de 220 mil metros quadrados, sendo 16,5 mil metros quadrados de área construída. Nos anos seguintes a área construída passou para os 41 mil metros quadrados atuais.
A FURP produz medicamentos complexos devido incentivo, financiamento e política pública, esses locais poderiam adequar suas plantas fabris e começar a produzir medicamentos que o governo entende que são críticos para cuidar da saúde da população brasileira.
O Mercado se orienta por outros indicadores com maior impacto do que os sociais, é não existe legislação que impeça um laboratório de tirar certo medicamento do mercado, mesmo que ele seja importante do ponto de vista da saúde pública, ignorar este fato é jogar contra a saúde pública, imaginando que temos um Sistema Única de Saúde – Universal.
A crise da FURP foi motivada pela construção da fábrica de Américo Brasiliense no interior paulista, a qual custou aos cofres do Governo do Estado a quantia de R$ 124 milhões entre os anos de 2005 e 2009, inclusive, ensejando a criação de uma CPI na Assembleia do Estado. O fato curioso é que mesmo não tendo relação direta com a unidade de Guarulhos, observa-se nos pronunciamentos das autoridades de alta patente do Estado, a ideia de que a FURP não deveria existir, justificado na visão reduzida que não seria função do estado, a fabricação de medicamentos, devendo a mesmo ser vendida a iniciativa privada.
A pandemia do Coronavírus escancarou a precariedade da saúde no país, anseia-se que os governantes repensem a realidade do país, com 30 milhões de pessoas sem acesso a água potável, 100 milhões sem tratamento de esgoto e com condições precárias de aquisição de medicamentos complexos.
A FURP pode centralizar a produção de IFAS no país e diminuir a dependência de produtos chineses ou indianos e ajudar na recuperação da importante indústria farmacêutica, gerando empregos e renda.
A sociedade de Guarulhos está sensível a importância da FURP no Município e mostra-se disposta a lutar para que ela permaneça atuante e fundamental manancial do desenvolvimento e polo de conhecimento e geração de empregos e renda na cidade, compondo o importante segmento de Ciência da Saúde.
Dr. Devanildo DAMIÃO.
Administrador, professor Universitário, pesquisador, especialista em gestão de projetos, recursos humanos e inovação. É Mestre e Doutor em gestão tecnológica.








