Muitas empresas não se empenham o suficiente para sobreviver e prepararem-se para o futuro.
Se observamos o momento notaremos que todas as economias do mundo foram diretamente afetadas, com impactos irreversíveis para na saúde de suas populações; dos empreendimentos diversos; níveis recordes de falências e perda de emprego. No Brasil já sentimos o impacto com níveis recordes de desocupação, fechamento de negócios, e, o mais grave, maior nível de mortes em toda a nossa história.
Tudo isso nos indica um cenário econômico desafiador e que impõe grande resiliência e a busca por inovação em seus negócios.
Recentemente uma empresa americana especializada em análise de negócios e banco de dados globais – CB Insights (*) realizou pesquisa com 677 executivos de grandes empresas, em posições estratégicas em suas empresas. Os resultados avaliados foram preocupantes. Apesar de 41% dos entrevistados admitirem que suas empresas atuam em um ambiente disruptivo, os seus processos ainda se apresentam lentos, com visão de curto-prazo, e de utilidade limitada. Vale ressaltar que, em um ambiente disruptivo, as empresas criam soluções inovadoras superiores a ponto de substituírem um tipo de produto, serviço ou tecnologias tradicionais.
A constatação da pesquisa expõe um fenômeno notado no dia a dia de nossos negócios: corremos riscos, sabemos disso, e, no entanto, optamos por não responder adequadamente às novas demandas e aos desafios dos novos ambientes de negócios.
O relatório da pesquisa da CB Insight não é tão claro quanto a afirmação acima. As razões para esse tipo de comportamento paradoxal não são abordadas em detalhes no relatório da pesquisa CB Insight, mas creio que podem ser constatadas em conversas que temos com muitos empreendedores e executivos.
Obter sucesso nos negócios através da inovação é um dos principais preceitos para a maioria dos executivos e empreendedores. Eles entendem os riscos de seus negócios e têm convicção que somente a inovação disruptiva pode levar aos melhores resultados, além de dominarem novas competências como design thinking, lean startup e inovação aberta. Apesar de conhecerem os conceitos, muitos desses executivos não conseguem inovar. Eles se dizem prontos e capazes, mas alegam que muitas forças conspiram contra. Detectamos os seguintes pontos de resistência quando se trata de inovar nos negócios:
Muitos alegam que conhecem bem o cliente e, quando os clientes demandarem por algum serviço ou novo produto serão “devidamente atendidos”
Em geral, essa alegação não é válida, pois são muito poucos os executivos e empreendedores que conhecem as necessidades de seus clientes. Um executivo de uma grande empresa farmacêutica conhecido me confidenciou que havia convidado líderes de 45 empresas fornecedores de insumos e serviços para conhecer sua planta; apenas 12 líderes compareceram. Como podemos dizer que conhecemos os nossos clientes, sem ao menos entender seus processos?
Visão de Curto Prazo: “O Futuro é para sempre, mas o presente é para esse trimestre”
Somos tão orientados para os resultados de curto prazo que adiamos novas ideias e projetos que poderiam ser uteis em um futuro breve. O problema é que o futuro de hoje tende a ser mais curto que antes. A aceleração dos ciclos de vida dos produtos força ao rápido avanço e encurtam seus períodos de vida nos negócios.
“Não há senso de urgência”
Não se espantem. Isso, normalmente não fica exposto em um grupo de trabalho, mas podemos senti-lo no andamento do trabalho das empresas ou no reconhecimento “explicito” de que os resultados de curto prazo superam sempre os de longo prazo.
Essa visão afeta todos os aspectos de uma organização. Especialistas e pensadores da alta administração enfatizam que a sustentabilidade e garantia de futuro de uma empresa constroem-se através de um planejamento estratégico estruturado, com o desenvolvimento de metas de crescimento, desenvolvidas pela equipe da alta gestão ou por seus principais colaboradores, focados em inovação e investindo na capacitação e capacidades adequadas. Sem esse raciocínio, as empresas terão poucas chances de crescimento.
“Não somos um grupo inovador”
Muitas empresas que observamos veem-se tão enraizadas em suas estruturas organizacionais, processos e ativos que são incapazes de reconhecer e aproveitar a criatividade inata de suas equipes. Conflitos territoriais, domínio de certas especializações em seus negócios, a idealização sobre a experiência apropriada a correta adequação para inovar travam seus colaboradores para criar e desenvolver ideias. O processo de contratação para inovar, nessas empresas, assemelham-se a busca de uma vaga em uma orquestra sinfônica clássica, onde o currículo (passado) é valorizado, enquanto, em empresas inovadores o foco é muito mais no aporte que se pode dar (futuro), a exemplo de um grupo de jazz ou de rock, ainda que se busquem talentos em ambos os perfis de empresas.
“Nossa empresa é orientada mais para processos que para inovação”
Importante reforçar que, inovação só se desenvolve e converte-se em resultados, com muita disciplina. Os grupos mais inovadores trabalham por projetos e seus respectivos processos, a fim de garantir que, sua criatividade se expresse em resultados efetivos e evoluam na matriz de serviços e produtos de valor para o mercado. A mágica da inovação acontece quando cada membro de uma equipe acredita ter total liberdade para expor suas melhores ideias, enquanto a alta administração se encarrega de controlar os processos de gestão, ambos ao mesmo tempo.
“Nossas margens são muito baixas para inovar”
Essa é uma das desculpas mais comuns daqueles executivos e empreendedores que não estão realmente motivados em buscar inovação. Muitos, ainda creem que a visão focada em inovação levaria a inviabilidade em seus negócios.
Observando grandes empresas e suas experiências com a inovação, descobrimos que, uma falha em estar no topo das tendências do mercado, a incapacidade de desistir de métricas tradicionais frente às rápidas mudanças do mercado e, o fracasso em enfrentar novos desafios para o futuro, podem ser a causa das empresas em não inovar.
A inovação é força vital para qualquer organização e empreendimento, mas é importante ressaltar que inovar requer coragem, resiliência, dedicação, horas de estudo em novos projetos, e que muitos dos resultados podem não resultar bem-sucedidos, por outro lado, o risco tende a ser ainda pior para aqueles que não optarem pela atitude de inovar.
* Acesse o link a seguir para ver os resultados da pesquisa “State of Innovation” da CB Insights – https://www.cbinsights.com/research-state-of-innovation-report
Jose Vitorelli é especialista em Inovação, Negócios Internacionais e Supply Chain.
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