O diálogo com as crianças é um instrumento importante da gestão do conhecimento e aprendizado, dado que o conhecimento ativo é função da mobilização química dos neurotransmissores, provocando a comunicação entre os neurônios para desenvolver sinapses.
Recentemente em conversa com os meus filhos, a questão básica era sobre o desenvolvimento de medicamentos e o motivo de serem tão caros, sobretudo, como eram descobertos e funcionavam para dores específicas.
Origem de medicamentos e dores.
Logicamente, relacionado as dores, foi explicada de forma não aprofundada a função neurológica e a inibição de determinados impulsos.
Referente a descoberta dos medicamentos foi abordado os medicamentos com origem na própria natureza e no processo de observação, análise, pesquisa, comprovação e eficácia, a qual envolve muitos recursos financeiros e muitos erros, cada 10 mil moléculas geram um princípio ativo, sendo que a fase de pesquisa é aquela que consome a maior parte dos recursos, sendo dominada por poucos países.
Na sequência serão realizados diversos testes para comprovar a segurança e a eficácia deles, e somente depois destes aspectos serão liberados para venda, cujo preço vai incorporar todos os recursos de desenvolvimento e propriedade intelectual.
Contextos diferentes, mas, realidades não necessariamente melhores
Mas, um aspecto muito interessante foi quando eles questionaram como era a realidade com os índios, dado que aprenderam recentemente na escola que o Pajé era o médico da tribo, e buscava na natureza a cura para as doenças e não cobrava dinheiro. Detalhei para eles que vários medicamentos existentes foram descobertos com base nas observações das tribos indígenas com a biopirataria, financiada por grandes grupos farmacêuticos,
Tente explicar que as civilizações eram diferentes, que estamos no capitalismo e as atividades necessitam ser sustentáveis e que os governos, apesar de recolherem parte substancial dos rendimentos com impostos não RETORNAM para a sociedade como deveriam e temos que pagar os custos de medicamentos, assim como o convênio para receber tratamento.
Mesmo assim, argumentei que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 80% da população que vive nos países em desenvolvimento dependem das plantas para seus cuidados primários de saúde, sendo uma grande realidade utilizar plantas para curas como o chá de Boldo, a qual é uma planta medicinal que estimula o fígado a metabolizar as gorduras, ou mesmo o alho, antimicrobiano, o qual tem ação anti-inflamatória e que ajuda a aliviar a dor.
Fiquei imaginando se um Pajé atual com a sabedoria indígena descobrisse um medicamento para a COVID 19, qual seria a reação das pessoas neste cenário de luta de narrativas e pouca e pouca soluções. Lembrei que a Ivermectina, com o trabalho premiado com o Nobel de 2015, no qual o cientista OMURA no Japão, isolou diferentes cepas de Streptomyces, cultivou-as em seu laboratório e selecionou 50 com potencial terapêutico. Nos Estados Unidos, CAMPBELL verificou que uma dessas culturas era eficiente contra parasitas. Isolou seu agente, batizado de Avermectina, e o modificou quimicamente com o objetivo de obter um componente mais eficaz, gerando a Ivermectina, a qual solucionou doenças em países tropicais em doenças causadas por vermes, em populações carentes e com pouco acesso a medicamentos.
Mas, é negativa a intenção de testá-los no combate ao COVID 19?
Respondi que não é existem medicamentos que são produzidos para determinadas doenças e mostram-se eficazes para outras situações, como no caso do medicamento Viagra da Pfizer desenvolvido para tratar hipertensão e angina pectoris e mostrou-se eficaz para disfunção erétil.
É legítimo buscar a solução, sobretudo devido os aspectos de segurança (pois já estavam aprovados e disponíveis no mercado) e nos resultados das pesquisas em laboratórios (in vitro), com sucesso. Todavia, os dados de eficácia, até o momento, não atingiram os parâmetros mínimos, não os credenciando a ser considerados nos tratamentos terapêuticos para a COVID 19.
A pior resposta é polarizar as questões (na atual situação de uma doença sem cura, os dois polos perdem, relação perde-perde).
A população deve seguir as recomendações oficiais: testes são fundamentais para seguir os protocolos sanitários, orientação dos médicos especialistas, os quais estão na linha de frente e aptos e lembrar que qualquer automedicação, é potencial causadora de reações adversas, e não existe remédio mágico.
Outro aspecto é não demonizar o medicamento, ou aqueles que receitaram, ou os próprios necessitados por utilizarem. Devemos incentivar a pesquisa, e desenvolver a ciência envolve observação, com o prosseguimento das observações e grupos de estudos. Existem muitas incertezas numa doença nova, sobretudo, com vetor mutante, diferentes níveis de gravidade e incidências regionais diferentes e cuja resposta deriva da qualidade do sistema imunológico.
A vacina é a grande estrela e certeza deste processo e, deve ser valorizada, pois permitirá que o próprio sistema imunológico crie condições para eliminar os invasores indesejados.
Devanildo Damião
Mestre e Doutor em Gestão Tecnológica, Pesquisador, Professor Universitário.








