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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

O MUNDO JÁ MERGULHOU NA TERCEIRA ONDA DE COVID 19.O BRASIL VAI DE PRANCHA DE SURF OU ÂNCORA?

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A complexidade da pandemia explica as inúmeras falhas de interpretações e opiniões desconexas com a realidade. O pior que se pode fazer neste momento é querer impor opiniões determinísticas, estamos vivenciando um período de grandes incertezas e fluidez.

O Brasil apesar de diversas falhas, sobretudo, de coordenação e muitas decorrentes de conflitos políticos e institucionais, apresenta condições de superar na perspectiva econômica algumas dificuldades, e posicionar-se em vantagem competitiva frente a Europa e demais países, para buscar articulações favoráveis com as potências Estados Unidos e China.

É fundamental colocar como pano de fundo,  a alta e crescente liquidez no mundo, decorrente das políticas dos bancos centrais, por exemplo, o americano destinará 02 trilhões de dólares para a economia, e parte pode ser apropriada para investimentos no Brasil.

Voltando o foco para a pandemia e especificamente relacionado a COVID 19, enfrentar um inimigo, que se modifica e aprende com a situação e as próprias fraquezas, não é tarefa trivial. Aprendemos que o ser inteligente é aquele com capacidade de aprender, e se adaptar e o vírus vem demonstrando estas características.

INFELIZMENTE, ceifou mais de 350 mil vidas até o momento no Brasil e mais de 3 milhões no mundo, sendo que não existe reversão para fato tão triste.

Gráfico 1: Média do Número de casos. 16.04.2021

A segunda onda (gráfico 1), iniciou-se num patamar alto e a sua queda foi bastante influenciada pela diminuição no número de casos e óbitos nos Estados Unidos e Reino Unido, fruto da imunização. Estes países apresentam situação crítica de mortes e contaminação, mas com o início da vacinação no final de 2020 em massa, derrubaram os índices de forma rápida.

Gráfico 2: Média de óbitos no mundo. 16 04 .2021

O Reino Unido na Europa foi o grande destaque com ampla vacinação e produção de vacinas, os quais com a continuidade dos cuidados sanitários, possibilitou que a população rapidamente atingisse a imunização.

Figura 1: Situação no Reino Unido.

Retratando O Brasil

O Brasil ao contrário, foi o país que de acordo com os dados oficiais liderou negativamente a retomada de uma terceira onda, liderando com grande incidência de casos, próximos a 100 mil caso e média superior a 3 mil mortes.

Gráfico 3: Mortes no Brasil.

Apesar de se colocar como um dos cinco países com maior vacinação, dada a sua grande população, ainda, não conseguiu atingir indicadores e percentuais que possibilitassem inverter a curva de contaminação.

Os problemas foram muitos, dentre os quais alguns estruturantes como a necessidade de requalificar o seu parque fabril para grande escala de vacinas, ancorada em dois equipamentos o Instituto Butantan e a Fiocruz.

Todavia, é importante um fato altamente relevante: foi celebrado um importante acordo em meados de 2020 com os pesquisadores da Universidade de Oxford em colaboração com o laboratório britânico AstraZeneca. É uma vacina “de vetor viral”: tem como base outro vírus (um adenovírus de chimpanzé) que foi debilitado e geneticamente modificado para impedir que o coronavírus se reproduza no organismo.

Importante ressaltar a transferência DE TECNOLOGIA, PERMITINDO A instalação de uma planta biológica para produzir insumos (IFAs) para as vacinas a partir do segundo semestre de 2021 no Brasil. Ao mesmo tempo, o paulista Instituto Butantan fez parceria com o laboratório chinês da SINOVAC para importação de vacinas e produção do insumo com transferência de tecnologia.

Gráfico 4: Doses de vacinação no mundo: 16.04.2021

O contexto permitiu ao Brasil situar-se entre os países com maior aplicação de doses de imunizantes, como podemos observar no gráfico 4, com mais de 32 milhões de doses de vacinas aplicadas e com mais de 53.5 milhões de doses entregues para aplicação. Em termos relativos considerando o total da população, o percentual está pouco acima de 15.40 % com pelo menos 01 dose. Desconsiderando a população abaixo de 18 anos, o percentual está acima de 20%.

O cenário permite vislumbrar que atingiremos ainda no primeiro semestre de 2021, as pessoas listadas como prioritárias as quais envolvem um grupo de 77.279.644 (16 de abril de 2021 – 12hs53).

O total de vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde para o programa de imunização é de 562.912.870, quantidade suficiente para toda a população brasileira em duas doses. Considerando ainda o fato que cerca de 25% da população de pessoas com menos de 18 anos, não possuem urgência na imunização, dado que as chances de contaminação são reduzidas.

A terceira onda está atingindo com muita intensidade a Índia com média de mais de 200 mil novos casos diários e países da Europa, os quais com exceção da Inglaterra e seus parceiros do Reino Unido, estão com vacinação em ritmo bastante lento.

Considerações para reflexão:

  1. Vários países omitem intencionalmente ou não os dados de mortes e contaminados com a COVID no mundo. Dentre eles, dois já assumiram o fato: Rússia e México, todavia, os dados da própria OMS estão com as informações incorretas, estes fatos distorcem as estatísticas comparativas.
  2. A China por decisão política não fornece e atualiza os seus dados.
  3. A Índia apresenta dados curiosos, em números absolutos é o segundo pais com maior número de contaminações, todavia, o número de mortes não acompanha, duas hipóteses surgem: 1. Sucesso em terapias que ainda não foram divulgados; b. Omissão de dados de óbitos, dados as características locais. Os país também é o terceiro no mundo na aplicação de vacinas;
  4. Existe enorme escassez mundial na produção de vacinas, os três principais países em doses aplicadas (Estados Unidos, China e Índia) são responsáveis por 58.03% do total aplicado no mundo de 878.16 milhões.
  5. O Brasil aplicou cerca de 3,74% do total de doses no mundo, e atingiu desconsiderando os jovens e crianças abaixo de 18 anos, percentual de  mais de 20%.
  6. O Brasil pode ser um dos primeiros países a dominar a doença com a imunização, o volume de vacinas adquiridas e a autonomia na produção a partir do segundo semestre, podem ser alicerces para um novo momento.
  7. Provavelmente, vai existir no mundo grande liquidez de capital, fruto de ações dos bancos centrais dos países no mundo, parte destes recursos financeiros podem ser apropriados para investimentos em nações emergentes como o Brasil,

Devanildo Damião – mestre e doutor em gestão tecnológica é administrador e especialistas em políticas públicas e inovação.

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