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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

A DIFÍCIL REALIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. OBSERVANDO A GESTÃO DA PANDEMIA COM A LUPA DE UM PAÍS.

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A crítica justa em determinado contexto com um escopo definido, não elimina e nunca justifica erros em outras esferas. Erros se somam, não se anulam. O preâmbulo é importante para evidenciar as prováveis interpretações precipitadas.

O nosso objeto de análise é o estado de São Paulo, um gigante em termos de população de 44, 9 milhões (Seade), com área de 248.209 km² e com PIB superior a maioria dos países da América do Sul tornando-se mais viável o exercício de comparação com um país, do que com outros estados e províncias. Na vertente populacional, com o olhar no nosso continente, o país ficaria atrás somente do próprio Brasil, no qual responde por pouco mais de 20% e da Colômbia, em situação de empate técnico com a Argentina.

No aspecto econômico, observando os dados estaduais, com base no ranking das maiores economias se situaria como a 21ª do mundo (US$ 603,4 bilhões correspondendo a 3,180 trilhões de reais). Importante frisar que o PIB paulista é maior que o de países como Polônia, Suécia, Bélgica, Argentina, Áustria, Noruega, Irlanda, Singapura e Dinamarca e corresponde aproximadamente a mais de 30% do PIB do Brasil de 1.74 trilhões de dólares em 2020. São Paulo é a terceira maior economia e o terceiro maior mercado consumidor da América Latina.

São Paulo sempre se notabilizou por ser a capital da Saúde da América do Sul com equipamentos de padrão mundial, ligados diretamente ao conhecimento de ponta das instituições de ensino. Além disso, em tempos não tão remotos, a oferta pública de saúde sempre foi um diferencial no Estado, o qual sempre cuidou da população do restante do país e da América do Sul, mas na pandemia hospitais da zona leste com unidades de tratamento intensivo lotadas, não dispunham de oxigênio suficiente, repetindo a realidade trágica de Manaus no começo do ano.

Todavia, a pandemia mostrou uma realidade dura e inesperada em relação ao estado de São Paulo. Infelizmente, concentra o maior número absoluto de mortes e casos no país e o restante do país. Entende-se que argumentos são legítimos, que o estado não está isolado e sofre impactos do governo Federal. Todavia, fica latente que a gestão dos recursos da saúde de 27,7 bilhões de reais destinadas ao estado e prevalência nas medidas de isolamento foram prerrogativas de responsabilidade do governo do estado.

Relacionado as mortes o Estado acumulou até o dia 16/05, 104.219 óbitos, e 3.092.844 casos, com letalidade de 3.37% superior ao Brasil de 2,8% e do mundo de 2.1%. A grande maioria dos óbitos aconteceu em pessoas acima de 60 anos com comorbidades, cerca de 57%. Mesmo com essas informações, não se notou trabalhos específicos para tratamento destes grupos, bastante suscetíveis ao agravamento da doença. Cuidados mais intensos e vigilância com testagem poderiam diminuir a letalidade e dor dos inúmeros paulistas.

Os números evidenciam que caso o estado fosse um país, o 14º pais da América do Sul, apresentaria o segundo maior número de mortes por milhão nos últimos 07 dias, com 76 mortes por milhão, atrás somente do Uruguai com Uruguai 97 mortes por milhão, e com maior número de mortes que a Argentina 70, Colômbia e Paraguai 67 e Brasil 63.

Apesar do Estado, está aproveitando bem o histórico programa de imunização, a distribuição sofre críticas dado os critérios de distribuição das vacinas. O município de Guarulhos cidade com segunda maior população do estado, ficou muito tempo recebendo menor número de vacinas que cidades como Santo André e Santos. Após, reclamações, o percentual aumentou, mas, recebemos cerca de 25% menos vacinas que a cidade de Campinas, a qual tem população e taxa de letalidade menor que Guarulhos.

Na vertente relacionada as atividades econômicas, o sistema de funcionamento mostrou-se ineficaz e confuso, com mudanças constantes de critérios, provavelmente por pressões políticas dos municípios. O acompanhamento das variáveis mostrou-se ineficiente e culminou com a orientação de desmobilização imprópria da estrutura de saúde, em meio ao agravamento da pandemia. Vários empresários não resistiram e a mortalidade das empresas é outra dura realidade, com impactos direto na sofrida população.

Devanildo Damião

Doutor e pesquisador em gestão tecnológica, coordenador técnico do Conselho de desenvolvimento de Guarulhos e Coordenador de cursos de graduação e pós-graduação.

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