- Para sobreviver nos negócios, a partir de agora, será fundamental a agilidade organizacional
- A base para mudar o modelo de negócios de forma criativa, virá da digitalização
- Novos ganhos coletivos virão da cooperação com parceiros estratégicos
Sabemos que a Covid-19 é, antes de tudo, uma crise de saúde global, com grandes repercussões econômicas e sociais. Mesmo com a reabertura da economia de vários países, o efeito combinado da pandemia e as medidas de mitigação necessárias – como o bloqueio prolongado e o distanciamento físico, gerou, como consequência, o choque de oferta e de demanda o que nos moveu à recessão global.
O choque de oferta reduz a capacidade da economia em produzir bens e serviços a um determinado preço devido ao fechamento de industriais não essenciais e medidas de distanciamento físico. A capacidade reduzida de uma indústria de produzir, por exemplo, 60% de sua produção pré-crise, contribui para o choque de oferta.
O choque de demanda reduz a capacidade do consumidor em adquirir bens e serviços a um determinado preço por causa do aumento da demanda por produtos relacionados à saúde, e a diminuição nas atividades de alto risco, como ir a restaurantes ou viajar. A perda de renda também pode contribuir para o choque de demanda, pois diminui a demanda de compra, como casas, carros ou eletrodomésticos etc.
As previsões indicam que esse surto mergulhará e economia global na pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Esta crise forçou as economias a fazer uma pausa e apresentou às empresas uma oportunidade única de enfrentar grandes desafios e fazer mudanças significativas.
O Fórum Econômico Mundial (www.weforum.org) pesquisou empresas em todo o mundo e indicou aquelas que, ainda sob pressão diante de um cenário desafiador para as economias, conseguiram capitalizar e orientar-se com visão de futuro e alto crescimento. Os estudos indicaram empresas com os melhores resultados em meio à esse ambiente tão desafiador, com as seguintes características em comum:
1 – Combinam velocidade e estabilidade – Agilidade organizacional é a capacidade de uma empresa em mudar ou adaptar-se rapidamente, em resposta ao mercado turbulento, e em rápida mudança. Para essa abordagem, são necessárias duas dimensões principais: velocidade e estabilidade, ou seja, uma empresa precisa ser ágil para acompanhar as mudanças, buscando a inovação e dinâmica de pensamento e ações, mas com estabilidade, que é crucial. Em um passado recente, agilidade organizacional era atributo desejável; no entanto, a nova realidade a tornou fundamental para a sobrevivência dos negócios. Os resultados da pesquisa do Fórum Econômico Mundial indicam que o Covid-19 forçou a transformação ágil, em níveis extraordinários. Como exemplo, temos a LUG – https://www.lugbrazil.com.br/pt/empresa ; empresa com base na Polônia, com mais de 30 anos de experiência em iluminação e instalações técnicas. Em decorrência do surto do corona vírus, a empresa priorizou o desenvolvimento e a produção de um novo portfólio de luminárias que utilizam a tecnologia UV-C, para combater microrganismos nocivos.
Sem abdicar de sua experiência e conhecimentos na indústria, a LUG projetou e reorganizou sua produção para fabricar produtos que oferecem soluções para hospitais, clínicas, lojas e instalações públicas.
2. Transformar a digitalização em vantagem – Pesquisas realizadas em 2015, indicavam que 82% dos executivos concordavam com a necessidade de transformar digitalmente a forma como as empresas contratavam e gerenciavam a mão de obra, mas apenas 23% indicavam disposição para implementá-la. A pandemia ocorrida em 2020, entretanto, forçou a uma implementação histórica da digitalização, o que fora apenas imaginado anos antes. Os dados sugerem que, em questão de alguns meses desde o início da crise de Covid-19, saltamos cinco anos na adoção digital de consumidores e empresas. O surto levou a mudanças estruturais, incluindo a preferência do cliente por engajamento digital e à mudança para modelos de trabalho remotos para colaboradores, que certamente permanecerão após o Covid-19.
Os desafios da pandemia para os negócios não tem sido apenas sustentar a produtividade por meio de operações digitalizadas, mas também redirecionar o foco para novas oportunidades estimuladas pela digitalização para o seu trabalho e força de trabalho. Se trata aí de uma mudança cultural, em que a digitalização é vista menos como uma solução para os problemas e mais como um catalisador de novos modelos de negócios de forma criativa, e ainda mais eficaz.
Vieira de Almeida & Associados (https://www.vda.pt/pt/) , VdA, escritório de advogados de Portugal, bem como a Puravankara Limited (https://www.puravankara.com/), incorporadora da Índia, são empresas muito diferentes, porém com sucessos semelhantes no processo de digitalização.
A VdA, fundada há mais de 40 anos, dava importância em trazer conhecimento jurídico em diferentes campos sob o mesmo local. No entanto, durante a pandemia, isso não seria mais possível, o que forçou a empresa a mudar rapidamente sua forma de trabalhar. Da noite para o dia, a empresa adaptou-se ao trabalho remoto com os seus mais de 400 colaboradores e, agora, desenvolvendo seu trabalho em diversas jurisdições. A mudança para o digital removeu algumas das limitações em relações as jurisdições liberando a empresa e seus serviços em um alcance mais amplo.
A Puravankara Limited, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da Índia, dependia quase 100% da visualização pessoal das propriedades para realizar suas vendas. Depois de migrar para o digital a organização enfatizou a realização de negócios por meio de suas plataformas online. Houve um aumento de produtividade através do trabalho remoto por meio de interações digitais e visualizações online, e, com isso, grande sustentabilidade dos seus negócios durante o período de crise pandêmica.
3 – Impulsione a mudança sistêmica por meio da cooperação – A pandemia do Covid-19 nos alerta o quanto as sociedades estão interconectadas. Apesar dos desafios, a pandemia expõe a importância da colaboração e da resiliência. Para construir cooperação e resiliência, há necessidade valorizar a confiança como parâmetro entre as partes interessadas, e aparentemente diversas; e, as empresas estão cada vez mais consciente disso – seja pela questão da confiança nos vários interlocutores em uma cadeia de suprimentos ou entre os colaboradores de uma organização. A Cooperação sistêmica da organização também será fundamental para que as empresas recuperem a capacidade de operação. A empresa Transport Corporation of Índia – ( https://tcil.com/tcil/index.html), líder em serviços de logística em seu país, é um grande exemplo, segundo o Fórum Econômico Mundial. Em um setor ainda vinculado as guias de remessas, recibos e administração baseada em documentos entre vários interlocutores, a empresa trabalhou seus objetivos compartilhados, em cadeia, por meio de muitas conexões e pontos de contato. A empresa estabeleceu confiança entre as todos os envolvidos e otimizou toda a cadeia de suprimentos próprias e de seus clientes, por meio da digitalização.
O que fazer agora? O mundo está sofrendo com a Covid-19, vários países retomando suas economias, mas forçando ao exame cuidadoso de nossas operações comerciais e as suas respectivas ineficiências e, as lições que a nova realidade nos deixa como oportunidades de melhoria. As empresas precisam trabalhar para responder à crise atual e, ao mesmo tempo, desenvolverem-se para prosperarem nesse ambiente, concentrando-se com agilidade, buscando digitalização em seus processos e sua comunicação, ao mesmo que em colaboração com seus mercados, seus parceiros, fornecedores, enfim, todos os interlocutores de sua cadeia de suprimentos. Os pontos descritos nesse texto estão interrelacionados e requerem estratégias focadas para alcançar os melhores resultados, desde a inclusão da produção, requalificação da força de trabalho, além de considerar a colaboração em níveis não tradicionais e, em diferentes comunidades. Bem-vindos ao novo normal!
* Jose Vitorelli é especialista em Inovação, Negócios Internacionais e Supply Chain.
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