eleitorais no 1º turno
Na semana do primeiro turno das eleições deste ano, alguns institutos de pesquisa apresentaram levantamentos que divergiram, e muito, do resultado final das urnas em vários lugares do país. Por este motivo, a reportagem do Guarulhos em Destaque ouviu importantes lideranças políticas da cidade sobre o tamanho da influência de uma pesquisa na hora do voto.
O prefeito Guti disse que a pesquisa acaba influenciando o voto do eleitor, principalmente o que está em dúvida. O chefe do executivo guarulhense acredita que isso possa “maquiar” o resultado final da disputa. “Vivi isso na pele. Na minha primeira disputa ao executivo eu estava em sexto nas pesquisas, e ganhei a eleição. O Congresso tem que investigar se a metodologia utilizada está errada ou se eles não possuem mais capacidade de filtrar os dados”, disse.
Os institutos mais comentados em decorrências dos erros, principalmente na disputa presidencial, foram Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), que custou R$ 23,4 milhões, e o Datafolha, com R$ 14,2 milhões. O presidente da OAB Guarulhos, o advogado Abner Vidal, ressaltou que, embora sejam importantes ferramentas no processo eleitoral, as pesquisas não se prestam ao convencimento do eleitorado. De acordo com Vidal, este instrumento é uma referência mais para a campanha dos candidatos.
“A ideia de votar em quem está melhor colocado na pesquisa deve ser combatida. Precisamos trabalhar em uma consciência política coletiva. A população precisa se concentrar nas propostas, histórico e realizações do candidato. O voto deve ser consciente”, comentou.
De acordo com o Ipec, uma equipe de entrevistadores e supervisores treinados para o trabalho executou as pesquisas. O Datafolha também informou ao TSE que os entrevistadores são treinados e recebem instruções específicas para cada projeto realizado.
Júnior Araújo, presidente da ASEC (Associação dos empresários de Cumbica), é avesso a pesquisas eleitorais. O empresário não confia neste instrumento porque, segundo ele, o maior problema está na diferença exorbitante do resultado final, fator influenciador no momento do voto.
Júnior acredita que sanções mais severas devem ser aplicadas em acontecimentos como os do primeiro turno. “Não é a primeira vez que isso ocorre. Erros acontecem, mas não no volume que foi esta última. Uma auditoria deve ser feita e multas devem ser aplicadas se o resultado da pesquisa repetir essa divergência em relação ao resultado real das urnas”, finalizou.
Na última terça-feira (4), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse em sua rede social que encaminhou à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação sobre a atuação de institutos de pesquisas eleitorais. Apesar de não relatar quem foi o autor do pedido, Torres apontou no documento “condutas que, em tese, caracterizam a prática de crimes perpetrados por alguns institutos”.
“A forma como os institutos de pesquisa têm tratado as informações durante as campanhas precisa ser revisto urgentemente. É claro que pesquisa nem sempre refletiu o resultado final das urnas, pois é o retrato daquele momento. Mas neste primeiro turno as diferenças foram absurdas até o dia anterior à eleição. Além disso, penso que alguma legislação deveria regulamentar a proibição de veículos de comunicação contratarem institutos de pesquisa. Ficou claro nesta campanha que alguns deles tinham linha editorial favorável a um ou outro candidato, e isso pode ter influenciado nos números apresentados à sociedade”, aponta o presidente da ACE-Guarulhos, Silvio Alves.
“Os meios de comunicação também são responsáveis por tudo que estamos vivendo. A nação, com um todo, pode pagar um preço alto por informações equivocadas “, concluiu Antônio Silvan, presidente do Sindicatos dos químicos de Guarulhos e região.
“As ferramentas usadas pelos institutos são ultrapassadas e, no Brasil, só costuma-se investir em melhorias tecnológicas depois de algum baque, como foi essa discrepância verificada no primeiro turno das eleições; e a própria sociedade também mudou. E pode ter mudado a escolha no final, após os debates e uma reflexão maior”, afirma o diretor titular do CIESP, Maurício Colin.








