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segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Endividamento e Inadimplência em alta, o que o consumidor deve esperar  em Novembro de 2025

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O endividamento das famílias brasileiras atinge nova escala de preocupação: em maio de 2025, 78,2% dos lares declararam ter alguma dívida, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No mesmo período, a inadimplência chegou a 29,5% das famílias, o maior patamar desde outubro de 2023.A tendência, apontam analistas, é de que o quadro se agrave até o fim de 2025, impulsionado pela taxa Selic mantida em 15% ao ano e pela elevação do custo do crédito.

Para Mayra Saitta, advogada tributarista, e fundadora do Grupo Saitta, o cenário reflete um descompasso entre renda e consumo, o cenário reflete um descompasso entre renda e consumo. “O orçamento doméstico tem sido sufocado por despesas fixas e emergenciais. As pessoas estão recorrendo a linhas de crédito para custear o básico, como alimentação e contas de energia”, avalia. Segundo ela, o comportamento do consumidor em novembro deve oscilar entre o alívio temporário do 13º salário e o risco de novos débitos. “O pagamento extra traz fôlego, mas muitos acabam comprometendo o recurso com dívidas antigas ou compras de fim de ano”, observa.

Dados do Banco Central indicam que o cartão de crédito segue como o principal vilão do endividamento, responsável por 86% das dívidas das famílias, seguido pelos carnês e empréstimos pessoais. O aumento dos juros médios rotativos, que ultrapassam 430% ao ano, também pressiona o saldo devedor.

De acordo com Saitta, o planejamento financeiro é o único caminho para reverter a curva de inadimplência. “É preciso definir prioridades e renegociar dívidas antes de buscar novos créditos. O consumidor deve entender que pagar o mínimo do cartão ou atrasar parcelas tem um custo exponencial”, alerta. Ela recomenda que as famílias aproveitem o 13º salário para quitar débitos de maior impacto, como financiamentos e contas em atraso, antes de pensar em gastos de consumo.

Especialistas em finanças pessoais reforçam que a tendência de alta na inadimplência deve se manter até o primeiro trimestre de 2026, caso a política monetária siga restritiva. “Sem redução da Selic, o crédito continuará caro, e o endividamento tende a permanecer em níveis críticos”, aponta Saitta.

Para os empresários, especialmente pequenos empreendedores, o controle de caixa e a revisão de custos operacionais são medidas urgentes. “A saúde financeira das empresas também depende do equilíbrio das finanças pessoais dos empreendedores. Quando a pessoa física se endivida, o negócio sofre junto”, completa.

O próximo trimestre será decisivo para medir a capacidade de recuperação do consumo interno e a efetividade das estratégias de renegociação. Até lá, o alerta permanece: planejar e reavaliar gastos é essencial para evitar que o alívio do fim de ano se transforme em um novo ciclo de endividamento em 2026.

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