Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) traz um alerta sobre os impactos do chamado efeito sanfona sobre a saúde metabólica feminina. Segundo a pesquisa, mulheres que passaram por sucessivos ciclos de perda intencional e reganho não intencional de peso apresentaram pior perfil cardiometabólico e menor atividade da gordura marrom, um tipo especial de gordura que ajuda a gastar energia. O achado reforça que o problema não está apenas na oscilação do peso em si, mas no acúmulo progressivo de gordura corporal ao longo do tempo.
O trabalho, apoiado pela Fapesp e publicado na Nutrition Research, foi desenvolvido no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes do Gastrocentro-Unicamp sob orientação de Ana Carolina Junqueira Vasques e coorientação de Bruno Geloneze. O estudo contou ainda com a participação de Laura Ramos Gonçalves Gomes e Isabela Solar.
De acordo com Vasques, o foco do trabalho foi avaliar a atividade do tecido adiposo marrom, conhecido pela sigla em inglês BAT (de brown adipose tissue), um tipo de gordura que vem despertando crescente interesse da ciência nos últimos anos por causa de seu papel potencial no manejo da obesidade, do diabetes e das dislipidemias.
Diferentemente do tecido adiposo branco, que armazena energia em forma de gordura corporal, o BAT tem função praticamente oposta: ele queima glicose e lipídios para produzir calor, contribuindo para o gasto energético do organismo. “Esse tecido é rico em mitocôndrias, que são estruturas responsáveis pela produção de energia nas células, o que lhe confere a coloração acastanhada e alta atividade metabólica”, explica a pesquisadora.








