Personalidades ligadas ao turismo local promovem difusão da iguaria com o objetivo de gerar reconhecimento por parte da população
Com uma proposta de reconhecimento cultural que vai além da culinária, personalidades ligadas ao turismo de Guarulhos promoveram, nesta terça-feira (24/02) na sede do Grupo Finger, no Centro, uma degustação do guisado guarulhense e do sorvete de mandioca, prato e sobremesa que integram o movimento de consolidação da identidade gastronômica da cidade.
A iniciativa faz parte de uma série de ações conduzidas por um Comitê de Validação que trabalha para divulgar e fortalecer o reconhecimento do prato típico local. “O projeto busca afirmar a identidade cultural de Guarulhos por meio de sabores. Temos feito palestras a respeito, divulgamos o prato no último aniversário da cidade e queremos levar a mais lugares, como escolas e restaurantes”, afirmou o turismólogo Danilo Ramalho, que faz parte da comissão.
O guisado guarulhense, preparado pela renomada chef Adriana Bernardes, carrega referências históricas e relatos preservados pela tradição oral. “Uma família do Jardim Álamo, de sobrenome Caraça, relatou que seus antepassados já se alimentavam do guisado durante a tradicional Festa de Nossa Senhora do Bonsucesso, celebração realizada desde 1641, o que reforça a presença do prato em contextos festivos antigos do município”, explicou o historiador Elton Soares, também membro da Comissão de Validação.
Em Guarulhos, o guisado ganhou identidade própria ao reunir ingredientes que dialogam com a história indígena, colonial e comunitária local. O sorvete de mandioca é uma sobremesa caseira e contemporânea, associada à tradição alimentar do bairro Torres Tibagy, especialmente à família Evaristo Gimenes, conforme relatos de degustação registrados em 2016.
Ingredientes que contam a história da cidade
O guisado é preparado tradicionalmente em panela de barro. Aos poucos, misturam-se carne de frango, colorau, arroz branco, pinhão da araucária, mandioca, milho, sal, alho, cebola e coentro.
Cada ingrediente carrega um capítulo da história local. O pinhão, por exemplo, semente da araucária, já alimentava os primeiros habitantes da região, os indígenas Maromomi.
A Comissão de Validação do prato típico é formada também pela embaixadora gastronômica da culinária típica guarulhense, Araçari Salles. O grupo tem realizado palestras, ampliando o debate sobre identidade alimentar e cultura local. “O projeto tem potencial para impulsionar o turismo pedagógico, gastronômico e de negócios de Guarulhos”, apontou Araçari.








