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quinta-feira, março 12, 2026

A MULHER QUE CARREGA O MUNDO

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Até quando você vai carregar caixas que não são suas?

Domingo foi o Dia Internacional da Mulher! E eu quero começar esse texto te dizendo uma dura verdade, que irá te trazer liberdade e leveza:

“O peso que você carrega não é seu.

Solte o mundo para não ter que soltar a si mesma.”

E no último sábado eu tive a honra de falar com as mulheres aqui de Salesópolis sobre a sobrecarga feminina. Eu entrei carregando sete caixas e é sobre elas que eu quero falar com você hoje.

A primeira caixa era grande e estava escrito: Expectativa dos Outros. Você sabe por que ela dói, por que carregar essa caixa pesa tanto? As mulheres hoje se preocupam muito com o que a mãe, o pai, o marido, os amigos ou a sociedade esperam que ela seja. Somos educadas para agradar aos outros.

A segunda era a caixa do Silêncio. Essa caixa representa tudo o que as mulheres engolem todos os dias para não gerar conflito. As mágoas que viraram “nódulos” na garganta e na alma. Os “nãos” que ela queria dizer, mas não disse, para agradar aos outros ou evitar brigas, ressentimentos ou situações difíceis.

Quando falei da terceira caixa, sei que toquei em um ponto delicado. A caixa do Sou eu quem faz TUDO. Eu digo isso porque doia em mim! Fomos levadas a pensar sempre que somos responsáveis e obrigadas a fazer tudo por todos. Somos a responsável pelo marido, pelos filhos, pelo pai, pela mãe, por toda a família, pelo trabalho, pela equipe….

A quarta caixa era O medo do julgamento. Nessa caixa estava o medo de ser criticada por mudar ou por cuidar de si mesma. A pergunta que grita em nossa cabeça é: “o que vão dizer?”. Vejo todos os dias mulheres dizendo que não podem parar para se cuidar pois as pessoas vão julgar, vão achar que ela é relapsa, está sendo egoísta.

Uma das caixas mais difícil de confrontar é a Autocobrança. Nós mulheres somos a nossa própria carrasca, pois dizemos que nunca é o suficiente, não importa o quanto nos esforcemos.

Segurar a sexta caixa foi uma das coisas que me fez chegar a pesar 140kg e que pode estar fazendo você também sofrer com a sobrecarga – Cuidar de todos menos de MIM. Sabe aquela sensação de que temos que cuidar do marido, dos filhos, do pai, da mãe, da equipe… e esquecer de cuidar de nós mesmas?

Agora a mais pesada para todas as mulheres é a sétima caixa: CULPA. Carregamos a culpa de não ser a mãe perfeita, a profissional perfeita ou a culpa de simplesmente querer descansar. É a caixa mais difícil de soltar.

Por que nosso cérebro se recusa a soltar essas caixas?

Você pode estar se perguntando: “Giovana, se essas caixas pesam tanto, por que eu simplesmente não as coloco no chão?”. A resposta está no nosso design biológico.

A Neurociência explica que o nosso cérebro é um órgão social. Para as nossas ancestrais, ser aceita pelo grupo era uma questão de sobrevivência e ser expulsa do bando significava a morte. Por isso, quando você tenta soltar a caixa da Expectativa dos Outros ou da Culpa, seu cérebro ativa o Sistema de Ameaça (a Amígdala Cerebral – aquela estrutura no nosso cérebro fundamental para o processamento de emoções, especialmente medo, ansiedade e raiva).

Para a sua mente, dizer um “não” ou priorizar a si mesma soa como um risco de rejeição. A sensação de “morte social” dispara o cortisol, o hormônio do estresse, fazendo você sentir que é mais “seguro” carregar o peso do mundo do que enfrentar o desconforto de desagradar alguém. Nós nos obrigamos a carregar essas caixas porque fomos treinadas para acreditar que o nosso valor está no que fazemos pelos outros, e não em quem somos.

Além disso, a Autocobrança e a Culpa criam um ciclo vicioso de dopamina reversa: nós buscamos a perfeição para evitar a dor da crítica, mas como a perfeição é impossível, o cérebro nunca recebe a recompensa de “dever cumprido”, mantendo-nos em um estado de ansiedade crônica.

Vamos fazer uma atividade prática? A Cerimônia de Entrega

Quem esteve comigo no evento do último sábado, pode vivenciar uma experiência única – apliquei uma ferramenta de PNL (Programação Neurolinguística), onde realizamos uma visualização para a libertação das cordas que nos prendiam a essas caixas.

Para que você comece a se livrar dessas caixas hoje, não basta apenas entender o conceito, é preciso agir. Quero que você faça um exercício de Externalização Cognitiva:

  1. Identifique a sua “Caixa Mestra”: Das sete caixas que listei, qual é a que está tirando o seu sono hoje? Escolha uma só para começar.
  2. O Exercício do Papel e do Lugar: Escreva em um papel tudo o que está dentro dessa caixa. Seja específica. “Sinto que tenho que fazer o jantar mesmo exausta para não ser julgada pela minha sogra”.
  • A Devolução Simbólica: Olhe para o que escreveu e faça a pergunta de ouro da gestão emocional: “Isso é meu ou é do outro?”. Se a expectativa é do seu marido, a caixa é dele. Se o julgamento é da sociedade, a caixa é dela.
  • Ação de Descompressão: Escolha uma coisa — apenas uma — que você vai deixar de fazer esta semana para provar ao seu cérebro que o mundo não desmorona. Deixe a louça na pia e vá tomar um banho demorado. Diga que não pode assumir aquele compromisso extra.

O seu novo peso

Ao soltar essas caixas, você sentirá um vazio inicial. Não se assuste. Esse vazio não é falta de propósito, é espaço. Espaço para respirar, para criar e para, finalmente, cuidar da pessoa que sustenta todas as outras: VOCÊ.

Eu precisei chegar aos 140kg para entender que meu corpo estava materializando o peso das caixas que eu não tinha coragem de soltar. Hoje, minha missão é garantir que você não precise chegar ao seu limite físico para entender que a sua liberdade começa quando você decide que não é um depósito de expectativas alheias.

Coloque as caixas no chão. Suas mãos foram feitas para construir a sua felicidade, não para carregar o peso do mundo.

“O mundo não vai desmoronar se você colocar as caixas no chão, mas você finalmente terá as mãos livres para construir a vida que merece viver.”

Giovana Quini é neuropsicanalista com mais de 30 anos de experiência em gestão empresarial e hoje continua cuidando de mulheres, ajudando a saírem da sobrecarga e da anulação para conquistar uma vida mais leve sem deixar a alta performance de lado.

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