Com o avanço no mercado de seminovos, a vistoria técnica ganha um papel fundamental para dar mais transparência às negociações
Com esse avanço no mercado brasileiro de veículos seminovos, a necessidade de tornar as transações mais seguras também cresce. Em 2025, o setor registrou 18,5 milhões de veículos comercializados, recorde histórico da série iniciada em 2011, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Esse movimento também começa a ganhar respaldo no debate legislativo, com o projeto de lei que propõe instituir no Brasil um modelo mais amplo de vistoria veicular periódica, especialmente para veículos com mais de cinco anos de fabricação. A proposta, em discussão no Congresso Nacional, pretende reforçar a segurança viária e aumentar a transparência no histórico dos veículos, criando parâmetros mais padronizados de inspeção técnica.
Para Miguel Souza, CEO da Vaapty, líder do franchising no segmento de intermediação de venda de veículos no Brasil, a vistoria funciona como um filtro de qualidade que contribui para profissionalizar o setor.
“Quando o carro passa por uma vistoria técnica antes da venda, o processo se torna muito mais transparente. Isso reduz conflitos entre comprador e vendedor e aumenta a confiança na negociação”, afirma. Segundo o executivo, a prática também ajuda a combater um dos principais gargalos do mercado de usados, que é a de assimetria de informação. Em muitos casos, quem vende conhece o histórico do veículo, enquanto o comprador depende apenas da aparência ou de dados limitados do anúncio.
Hoje no Brasil, a vistoria já é exigida em situações específicas, como transferência de propriedade, regularização de veículos recuperados de roubo ou suspeita de adulteração. No entanto, a ampliação do processo poderia contribuir para reduzir fraudes, identificar problemas estruturais e melhorar a qualidade das informações disponíveis no mercado de usados.
“A vistoria padroniza critérios e cria um registro técnico sobre o estado do carro. É uma forma de transformar uma negociação muitas vezes informal em uma operação mais profissional e segura. Mas antes mesmo da lei ser aprovada ou não, esse critério já é estipulado em empresas que fazem essa intermediação de veículo”, diz o CEO de Vaapty.
Além de dar mais segurança jurídica, o laudo técnico também pode facilitar a precificação. Com informações detalhadas sobre estrutura, quilometragem, possíveis reparos e estado geral do veículo, compradores conseguem avaliar melhor o custo-benefício da compra, enquanto vendedores têm argumentos mais sólidos para justificar o valor pedido.
O especialista acredita que processos mais estruturados, como a vistoria na pré-venda, tendem a se consolidar como padrão. A expectativa é que a profissionalização das negociações reduza riscos, aumente a confiança entre as partes e contribua para um ambiente mais transparente no setor de seminovos.








