Tosse por mais de 15 dias é alerta para doença; entenda sintomas e como evitar formas graves da doença
A clássica tosse persistente e prolongada, aliada a perda de peso, é sinal de alerta. A tuberculose é uma doença que não ficou para trás. O problema segue latente no Brasil, com 85 mil casos registrados no ano passado, além de 6 mil mortes, sendo uma das doenças infecciosas que mais mata no país. Os dados reveladores são da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O Brasil segue na contramão da Estratégia Fim da Tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS) que prevê acabar com a doença até 2035. Para 2025, a meta era reduzir 50% da incidência e 75% da mortalidade. O Brasil, porém, registrou uma tendência contrária e viu a incidência da infecção aumentar desde 2015.
Dados epidemiológicos da tuberculose afastam o país de metas a serem alcançadas nos próximos cinco anos. Números ainda são elevados mesmo com ações por parte da iniciativa pública.
Neste contexto, a infectologista Juliana Caetano Barreto Cypreste Oliveira, que atende no Órion Complex, reforça a importância do diagnóstico precoce. “Se você tem uma tosse por mais de 15 dias, perdendo peso, com ou sem catarro, procure o médico para pesquisar e afastar qualquer outra doença. A tosse prolongada indica uma possível lesão pulmonar progressiva causada pela micobactéria da tuberculose”, alerta.
Além da tosse longa, a doença apresenta sinais de alerta que costumam se agravar com o tempo. Os sintomas mais comuns incluem: febre baixa, que costuma aparecer no final da tarde, suor excessivo durante a noite, falta de apetite e emagrecimento, cansaço, fraqueza e dor no peito. Em casos mais graves e avançados, pode haver escarro com sangue.
A infectologista alerta para o avanço da doença em Goiás. “Somente nesta quinta-feira, dia 19, eu atendi três pacientes com diagnóstico positivo para doença, dois de tuberculose latente e outro com ativa. Já notifiquei a pessoa que coordena o programa da doença no Estado”, afirma a médica.
A tuberculose latente é uma condição na qual o indivíduo está infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, mas não apresenta sintomas clínicos da doença ativa. Neste estado, a bactéria está presente no organismo, porém inativa, e o sistema imunológico consegue controlá-la, impedindo a progressão para a tuberculose ativa.
*A prevenção vai além da vacina*
A vacina BCG, aplicada logo após o nascimento, é a principal forma de prevenção na infância, sendo fundamental para proteger as crianças contra as formas mais graves da doença. Mas na fase adulta, a prevenção exige outras medidas.
“É importante que a pessoa infectada use máscara, assim como quem tem contato direto com ela. O ambiente de convívio deve ser aberto e ventilado. Imunossuprimidos que tiveram contato com um infectado devem ser avaliados rapidamente, pois elas podem ter sido contaminadas e estar com a infecção latente, ou seja, na fase em que a doença ainda não se desenvolveu”, orienta a médica.
O tratamento da tuberculose é oferecido pelo sistema de saúde e dura, no mínimo, seis meses com o uso de antibióticos específicos. A boa notícia é que o paciente deixa de transmitir a doença rapidamente: em torno de duas a três semanas após iniciar a medicação correta, a carga de bactérias cai e o contágio é interrompido.
Por outro lado, com a melhora rápida, muitos pacientes cometem o erro de abandonar o tratamento. A infectologista, o abandono da medicação antes do prazo de seis meses é um dos maiores desafios de saúde pública. “Parar de tomar os remédios ao se sentir melhor gera a “tuberculose multirresistente”. Quando isso acontece, o tratamento precisa ser reiniciado, mas passa a durar de 9 meses a 1 ano, exigindo remédios mais caros, com mais efeitos colaterais e com um processo de cura muito mais difícil”, afirma.
*Dia da Tuberculose*
A tuberculose ainda é uma doença cercada de estigmas, o que muitas vezes afasta os pacientes do diagnóstico precoce. Associada no passado exclusivamente a condições de extrema pobreza, a infecção hoje atinge diferentes perfis e continua sendo transmitida silenciosamente por pessoas que ignoram um sintoma clássico: a tosse persistente.
Por isso, o Dia Mundial do Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, tem como objetivo de desfazer mitos, conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença. A data foi escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para lembrar o dia em que, em 1882, o cientista Robert Koch anunciou a descoberta do bacilo causador da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis.








