Especialistas do setor automotivo alertam que o problema ainda ocorre com frequência e pode passar despercebido em avaliações superficiais.
A adulteração do hodômetro é uma das principais fraudes na negociação de veículos usados e seminovos no Brasil. A prática altera a quilometragem real do carro para ocultar o uso real do veículo e aumentar a percepção de valor durante a venda. Especialistas do setor automotivo alertam que o problema ainda ocorre com frequência e pode passar despercebido em avaliações superficiais.
Segundo Beto Reis, sócio-diretor da Super Visão, a fraude costuma ser utilizada para melhorar a percepção de valor do veículo em uma negociação. “A prática é mais comum do que se imagina, compromete a transparência da negociação e pode configurar crime”, afirma.
Uma das ferramentas que podem auxiliar na identificação de possíveis indícios de adulteração é o diagnóstico eletrônico do veículo, realizado por meio da leitura de dados armazenados nos módulos eletrônicos através da porta OBD (On-Board Diagnostics).
O procedimento utiliza equipamentos especializados capazes de acessar diferentes módulos eletrônicos do veículo. Quando existem registros de quilometragem nos módulos, a leitura pode identificar divergências entre essas informações e os dados apresentados no painel do veículo. O sistema também pode indicar o histórico de falhas registradas nos módulos eletrônicos.
“A leitura gera um relatório técnico com base nas informações disponíveis nos módulos do veículo no momento da leitura, oferecendo ao consumidor informações complementares para uma decisão de compra mais segura”, explica Reis.
O especialista ressalta que a possibilidade de leitura dos módulos depende de cada veículo e deve ser analisada em conjunto com outros elementos técnicos da vistoria.
Ficar atento aos sinais de desgaste é fundamental
Além do diagnóstico eletrônico, é importante observar sinais de desgaste incompatíveis com a quilometragem informada, como pneus, pedais, volante e bancos muito desgastados. Rachaduras em componentes plásticos, lacres violados e mangueiras ou borrachas excessivamente ressecadas também podem indicar uso do veículo acima do que o painel registra.
“Um veículo com baixa quilometragem normalmente apresenta estado geral compatível com pouco uso. Quando isso não acontece, é recomendável que o consumidor investigue melhor as condições do carro”, alerta.
Mercado aquecido amplia risco de fraudes
O alerta se intensifica diante do aquecimento do mercado de veículos usados e seminovos no país. Em 2025, foram comercializadas cerca de 18,5 milhões de unidades, um crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior. Com o aumento da demanda, práticas fraudulentas também tendem a crescer.
“A adulteração de quilometragem pode configurar crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa”, conclui Reis.








