O Brasil conseguiu avançar em um ponto fundamental para a universalização do saneamento: a criação de um marco regulatório capaz de atrair investimentos. Desde 2020, com a entrada em vigor do Marco Legal do Saneamento Básico, o setor passou a registrar aumento nos aportes e maior participação da iniciativa privada. Mas há uma mudança importante em curso. O principal desafio do saneamento no país já não é apenas mobilizar recursos. É garantir capacidade de execução.
Segundo o Instituto Trata Brasil, o Brasil precisará investir cerca de R$ 420 bilhões até 2033 para cumprir as metas de universalização, que preveem levar água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90%. Trata-se de um volume expressivo, que exige não apenas financiamento, mas capacidade real de transformar recursos em obras e serviços. E é justamente nesse ponto que surgem os gargalos.
Grande parte desses investimentos está concentrada em obras de infraestrutura, que demandam planejamento, escala operacional, mão de obra qualificada e eficiência na execução. Ao mesmo tempo, ainda há municípios sem contratos estruturados e dificuldades técnicas que atrasam projetos e comprometem o avanço das metas.
Soma-se a isso um ambiente regulatório em evolução e pressões adicionais, como o impacto da reforma tributária, que pode elevar custos e exigir ainda mais eficiência dos operadores. Nesse cenário, a discussão sobre saneamento precisa evoluir. Não basta falar em bilhões a serem investidos é necessário discutir quem, de fato, tem capacidade de entregar.
O Marco Legal elevou o nível de exigência do setor. Hoje, não se trata apenas de operar, mas de cumprir metas, garantir eficiência, atender padrões regulatórios e assegurar sustentabilidade econômico,financeira. Isso abre espaço para um novo perfil de atuação: empresas estruturadas, com capacidade técnica e operacional para executar projetos complexos em larga escala.
A universalização do saneamento não será definida apenas pelo volume de recursos disponíveis, mas pela capacidade de transformá-los em obras entregues, serviços operacionais e impacto real na vida da população. O tempo até 2033 é curto e o desafio agora é, essencialmente, de execução.








