No Dia Nacional do Livro Infantil, especialista destaca como o hábito de ler desde cedo contribui para o desenvolvimento cognitivo, autonomia e equilíbrio emocional das crianças, mesmo diante da forte presença digital no cotidiano infantil
No dia 18 de abril é celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil, data que reforça a importância da leitura na infância e a formação de um hábito de leitura que transcende a obrigação escolar.
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro, as crianças entre cinco e 10 anos leram em média 7,2 livros por ano e 62% delas são consideradas leitoras pelo critério da pesquisa (ler um livro inteiro ou em partes nos últimos três meses que antecedem a realização do estudo).
A diretora-pedagógica do Ensino Infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Mariane Araújo, explica que a leitura na infância atua não só no processo de alfabetização, mas também no desenvolvimento da autonomia, senso crítico e saúde emocional da criança.
“A leitura na infância precisa ser construída com base no prazer de ler e na curiosidade de aprender. É importante permitir que a criança associe o livro a um momento de descoberta e escolha, e não a uma tarefa imposta, tornando-o uma necessidade orgânica em sua rotina ao invés de uma tarefa imposta”, comenta Mariane.
Ainda de acordo com o panorama feito pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 68% das crianças nessa faixa etária usam a internet durante o seu tempo livre, 70% assistem televisão, 26% usam o WhatsApp ou Telegram e 10% usam Facebook, Twitter ou Instagram.
Em um mundo dominado por telas e vídeos curtos, a diretora ressalta que o livro físico mantém sua relevância devido à sensorialidade e ao ritmo que impõe, funcionando como um contraponto necessário à aceleração das telas.
“O livro físico exige que a criança pause, toque o papel e use a imaginação para completar a cena, enquanto as ilustrações funcionam como as ‘primeiras galerias de arte’ que a criança visita, favorecendo o foco e a regulação da ansiedade gerada pelo bombardeio digital”, reforça a diretora-pedagógica.
Para que o hábito se fortaleça, o envolvimento familiar também é necessário. Enquanto a escola age desmistificando a leitura e retirando-a do campo da avaliação técnica, projetos que incentivam rituais de leitura em casa, focados no compartilhamento, incentivam os pequenos a criarem gosto pelos livros.
“Atividades de leitura para serem feitas em família que priorizam a escuta são importantes para as crianças criarem uma memória afetiva com o livro, que será carregada por toda a vida”, explica Mariane.
Professor como mediador
O papel da literatura infantil é criar um ambiente divertido e interativo, mas também ir além do entretenimento. Diante das discussões contemporâneas sobre o conteúdo de obras clássicas, o papel dos educadores é atuar como mediadores críticos.
“O educador precisa atuar como um mediador que contextualiza o tempo em que o autor viveu ao invés de apagar o passado. A mediação crítica transforma a leitura em um diálogo, onde a criança é incentivada a questionar visões datadas e a identificar injustiças. Essa abordagem permite que o leitor desenvolva o senso ético”, explica a educadora.
Mariane explica que a capacidade da literatura de lidar com temas densos de forma acessível é essencial para o aprendizado do aluno. Por meio de metáforas e outras ferramentas gramaticais, os livros transformam conceitos abstratos, como emoções, diversidade e inclusão, em narrativas universais.
“Através de personagens que enfrentam o medo, a perda ou a exclusão, o pequeno leitor consegue vivenciar essas emoções de forma segura. Ao apresentar a diversidade como parte natural da trama, a literatura educa pelo afeto e serve tanto de espelho para a própria identidade quanto de janela para o mundo do outro”, conclui a educadora.








